Em entrevista a uma rádio, Haddad rasga elogios à gestão Serra-Kassab por ter sabido equilibrar as contas da Prefeitura. Ou: Os isentos de um lado só
O leitor estranhou o título? Mas é a mais pura expressão da verdade. Sim, vou contar as circunstâncias em que isso se deu.
Fernando
Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura, está em busca de uma causa. Na
Folha, a gente lê que ele ficou bravo porque o prefeito Gilberto Kassab
anunciou a criação de novos corredores de ônibus. Acha que o outro só
fez isso para lhe tirar uma bandeira. Imagino o garoto Gugu-Haddad, que
não sujava o shortinho, quando alguém lhe tomava a bola no futebol. Ele
protestava: “Manhêêê, olha o que ele fez!!!” Sigamos.|
Leio no
Estadão Online (e comento daqui a pouco a abordagem da editoria de
política em São Paulo…) que o petista concedeu uma entrevista à Rádio
Capital, acusando Kassab — com quem ele tentava se juntar até anteontem —
de criar taxas “papa-níqueis”. Falou no plural, mas citou uma apenas: a
Taxa de Inspeção Veicular. Nota: a inspeção veicular é uma obrigação
legal, determinada por lei federal. Se os donos dos carros não pagam,
então todos pagam —inclusive quem não tem carro. Hoje, é de R$ 44,36.
Por ano, é claro!; por dia, R$ 0,12! Tá! Se ele acha que todos devem
pagar por um bem que só pertence a alguns, eis um modo de ver o mundo.
Eu sempre soube que o socialismo petista consiste em tirar de quem não
tem para dar a quem tem. Sigamos.
Lembrado
de que ele próprio, como secretário adjunto de Marta, defendeu a
criação da Taxa do Lixo, por exemplo, Gugu Dadá recorreu ao esporte
predileto dos petistas: afirmar que os eventuais defeitos alheios são
virtudes quando exercitados por petistas. Leiam trecho do texto do
Estadão:
Apesar de ter sido chefe de gabinete da Secretaria de Finanças da gestão Marta Suplicy, quando a prefeitura criou novos tributos, como a “taxa do lixo”, o petista alegou que na época em que Marta assumiu a administração a situação era inversa à do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Haddad lembrou o “descalabro” da gestão Celso Pitta e as dificuldades financeiras que Marta herdou de seu antecessor em 2001, quando assumiu o cargo. “Uma coisa é elevar a carga tributária quando não se tem recursos mas se tem projetos. Outra coisa é ter recursos e não ter projetos”, justificou o pré-candidato, lembrando que Kassab tem três vezes mais recursos disponíveis no atual Orçamento (de aproximadamente R$ 38 milhões) que Marta. “O subinvestimento tem sido a marca dessa administração”, acrescentou.
Apesar de ter sido chefe de gabinete da Secretaria de Finanças da gestão Marta Suplicy, quando a prefeitura criou novos tributos, como a “taxa do lixo”, o petista alegou que na época em que Marta assumiu a administração a situação era inversa à do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Haddad lembrou o “descalabro” da gestão Celso Pitta e as dificuldades financeiras que Marta herdou de seu antecessor em 2001, quando assumiu o cargo. “Uma coisa é elevar a carga tributária quando não se tem recursos mas se tem projetos. Outra coisa é ter recursos e não ter projetos”, justificou o pré-candidato, lembrando que Kassab tem três vezes mais recursos disponíveis no atual Orçamento (de aproximadamente R$ 38 milhões) que Marta. “O subinvestimento tem sido a marca dessa administração”, acrescentou.
Voltei
Ah, agora entendi tudo. Maior elogio à gestão Serra-Kassab (2005-2008) não poderia haver. E o título agora se explica. Segundo Haddad, Marta pegou uma Prefeitura em dificuldades financeiras. Certo! Ocorre que ela deixou a mesma Prefeitura em situação pré-falimentar — aliás, fosse uma empresa privada, teria realmente ido à falência. Os credores dobravam o quarteirão. Se a memória não me falha — mas é fácil consultar — havia um rombo de mais de R$ 2 bilhões! Serra eleito, teve de chamar os credores e começar a renegociar os calotes que tinham sido dados pelos petistas. E Haddad era da área de finanças!
Ah, agora entendi tudo. Maior elogio à gestão Serra-Kassab (2005-2008) não poderia haver. E o título agora se explica. Segundo Haddad, Marta pegou uma Prefeitura em dificuldades financeiras. Certo! Ocorre que ela deixou a mesma Prefeitura em situação pré-falimentar — aliás, fosse uma empresa privada, teria realmente ido à falência. Os credores dobravam o quarteirão. Se a memória não me falha — mas é fácil consultar — havia um rombo de mais de R$ 2 bilhões! Serra eleito, teve de chamar os credores e começar a renegociar os calotes que tinham sido dados pelos petistas. E Haddad era da área de finanças!
De fato,
Serra saneou as contas da Prefeitura em coisa de um ano e meio.
Renegociou contratos com muita dureza — aqueles que o PT havia celebrado
com a moleza que os “companheiros” têm quando se trata de, como direi?,
transacionar com certo tipo de empresa privada. Ao fim do primeiro
mandato Serra-Kassab, a Prefeitura estava mesmo com as contas em dia. E,
hoje, está longe da situação em que o tucano a encontrou em 2005. Caso
Haddad venha a se eleger, encontrará, de fato, a cidade com as finanças
saudáveis.
Vale dizer:
Haddad está demonstrando por que, então, Serra se afigura mesmo a melhor
solução para a cidade de São Paulo, não? Se o PT encontrou a cidade em
falência, em falência ele a entregou a seu sucessor. Da falência,
chegou-se a essa situação apreciável que o petista aponta.
Diferença de tratamento
O Estadão faça aquilo que achar melhor com a sua cobertura de política em São Paulo. Escrevo sobre o que leio. E também tenho as minhas opiniões. Só que o leitor sabe que estou dando uma opinião. Vamos ver.
O Estadão faça aquilo que achar melhor com a sua cobertura de política em São Paulo. Escrevo sobre o que leio. E também tenho as minhas opiniões. Só que o leitor sabe que estou dando uma opinião. Vamos ver.
Anteontem, o site do jornal deu destaque à entrevista que Serra concedeu à mesma Rádio Capital (aqui).
Título: “Para Serra, promessa feita em 2004 era apenas ‘um
papelzinho’”. Basta ler o texto e a transcrição da fala para concluir
que se trata de uma forçada de barra do pior tipo. Não é preciso ser
linguista para concluir que, na prática, o Estadão sustentou uma
inverdade. O fato é que o texto sobre a entrevista do tucano à Rádio
Capital tem viés obviamente negativo — e só negativo.
Agora vejam a reportagem sobre a entrevista
de Haddad, que é manchete do Estadão Online (a de Serra também foi, só
que negativa). Lê-se: “Gestão Kassab criou ‘taxas papa-níqueis’, afirma
Haddad”. Sim, o texto informa que ele foi um defensor da taxa do lixo,
mas o homem tem tempo de se explicar. A abordagem do jornal lhe é
francamente favorável.
Em suma: a
entrevista que Serra concedeu à Rádio Capital foi usada contra ele no
estadão; no Estadão e só lhe rendeu notícias negativas — e a partir de
algo que não foi dito; não da maneira como se informou ao menos. Com
Haddad, para quase não variar na imprensa paulistana, fez-se o
contrário: a entrevista foi mais uma chance para ele atacar o
adversário.
Aí alguém resolve me pegar: “E você? Não opina, não?”
Claro que sim! E muito!
Claro que sim! E muito!
Só que há uma coisinha: embora eu só trabalhe com fatos, faço questão de deixar claro que estou dando uma opinião.
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