Encenação no Planalto
Leia editorial do Estadãoi:
A presidente Dilma Rousseff chamou ao Palácio do Planalto 28 dos maiores empresários do País para pedir-lhes mais investimentos - como se algum deles precisasse de um apelo presidencial para investir na ampliação de seus negócios e para ganhar mais dinheiro e mais espaço em seus respectivos mercados. Quanto a esse ponto, pelo menos, dificilmente haverá diferença entre esses líderes da indústria, do comércio e do setor financeiro e a maioria dos dirigentes de empresas pequenas e médias. Os chamados espíritos animais estão bem vivos no empresariado brasileiro, apesar de todas as dificuldades para investir, produzir e vender, especialmente para o mercado externo. A presidente não deveria preocupar-se com isso. Mas os dirigentes de companhias de todos os tamanhos têm motivos para se preocupar com a pouca disposição do governo de adotar as políticas necessárias ao fortalecimento do setor produtivo e ao crescimento seguro da economia brasileira.
A presidente Dilma Rousseff chamou ao Palácio do Planalto 28 dos maiores empresários do País para pedir-lhes mais investimentos - como se algum deles precisasse de um apelo presidencial para investir na ampliação de seus negócios e para ganhar mais dinheiro e mais espaço em seus respectivos mercados. Quanto a esse ponto, pelo menos, dificilmente haverá diferença entre esses líderes da indústria, do comércio e do setor financeiro e a maioria dos dirigentes de empresas pequenas e médias. Os chamados espíritos animais estão bem vivos no empresariado brasileiro, apesar de todas as dificuldades para investir, produzir e vender, especialmente para o mercado externo. A presidente não deveria preocupar-se com isso. Mas os dirigentes de companhias de todos os tamanhos têm motivos para se preocupar com a pouca disposição do governo de adotar as políticas necessárias ao fortalecimento do setor produtivo e ao crescimento seguro da economia brasileira.
Como
era previsível, a reunião serviu para a presidente encenar alguma
iniciativa, num momento de muita dificuldade com a base governamental e
de vexaminosas derrotas no Congresso. Além disso, converteu-se, como era
também previsível, em mais uma oportunidade para os empresários
desfiarem o novelo de suas queixas e reivindicações, todas bem
conhecidas e diariamente citadas pela imprensa.
Os
convidados falaram de câmbio, carga tributária, encargos trabalhistas,
custo do dinheiro, problemas de infraestrutura e escassez de mão de obra
qualificada. Trataram também, é claro, de uma aberração inventada por
alguns governadores, a guerra dos portos, gravemente prejudicial à
indústria brasileira: produtos importados com incentivos fiscais, por
meio de um protecionismo às avessas, são vendidos com grande vantagem de
preço em outros Estados, impondo uma concorrência absurdamente desleal
ao produtor nacional.
As falas da
presidente e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, foram igualmente sem
novidades, apesar da abundância de palavras. As autoridades prometeram,
mais uma vez, um grande plano de redução de custos fiscais e
financeiros. O corte de encargos trabalhistas, iniciado em 2011, será
estendido a novos setores, haverá diminuição de impostos federais e
crédito mais barato será oferecido aos empresários. Além disso, o
governo investirá em obras de infraestrutura e tentará baixar o custo da
energia. Todas essas promessas eram conhecidas.
Não valeria a
pena os empresários irem a Brasília para repetir suas queixas e para
ouvir de novo as declarações de bons propósitos do governo, exceto,
talvez, por um detalhe: pelo interesse de participar, ao lado de figuras
muito importantes do setor privado, de um encontro com a chefe do
governo. No caso da presidente Dilma Rousseff, muito menos propensa do
que seu antecessor a reuniões desse tipo, a raridade do evento também
pode ter sido um atrativo.
Mas a
presidente foi além das promessas e da cobrança de mais investimentos.
Ela pediu uma atuação mais forte dos empresários a favor da Resolução
72/2011 do Senado, sujeita a forte resistência de várias bancadas
estaduais. Se essa Resolução for aprovada, a redução das alíquotas
interestaduais tornará muito mais difícil a guerra dos portos.
Mas vários
empresários importantes e sindicalistas já estiveram no Congresso, nos
últimos dias, participando de sessões especiais sobre o assunto e já
deram seu recado. A presidente deve saber disso. Muito mais que um
esforço de argumentação e de esclarecimento, ela pediu, portanto, um
trabalho para a conquista de votos. Recorreu aos empresários, em suma,
na esperança de terem êxito onde ela fracassou. Nesse, como em vários
outros casos importantes, o Executivo tem sido incapaz de unir a base
governamental em torno de um projeto considerado de alto interesse para o
País.
A maior
parte do encontro foi mera encenação de uma reunião produtiva entre a
presidente e um grande grupo de pesos pesados da economia. O resto foi
uma demonstração explícita dos problemas de um governo forçado a comprar
e a recomprar, num comércio sem fim, a fidelidade de sua base no
Congresso.
Tags: Governo Dilma
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