Ódio na Internet – Os alvos de Melo, que já foi considerado “semi-imputável”: cristãos, judeus, negros, mulheres, homossexuais e crianças!!!
Na VEJA Online:
A Polícia Federal (PF) pôs fim nesta quinta-feira a sete anos de atividade criminosa de Marcelo Valle Silveira Melo, de 26 anos. Preso por pregar a intolerância e fazer ameaças em um site, ele era uma figura conhecida na internet por espalhar as mais terríveis mensagens. Melo passou de provocador inconsequente a um perigoso disseminador do ódio. Ele se valia da internet para passar uma imagem de superioridade que, na vida real, lhe faltava. Na rede, o garoto sem amigos se transformava em “Psycl0n”, ou “Ash Ketchum”.
A Polícia Federal (PF) pôs fim nesta quinta-feira a sete anos de atividade criminosa de Marcelo Valle Silveira Melo, de 26 anos. Preso por pregar a intolerância e fazer ameaças em um site, ele era uma figura conhecida na internet por espalhar as mais terríveis mensagens. Melo passou de provocador inconsequente a um perigoso disseminador do ódio. Ele se valia da internet para passar uma imagem de superioridade que, na vida real, lhe faltava. Na rede, o garoto sem amigos se transformava em “Psycl0n”, ou “Ash Ketchum”.
A trajetória
criminosa de Melo teve início em 2005, quando ele publicou uma
sequência de ofensas contra negros em um fórum da Universidade de
Brasília (UnB) no site de relacionamentos Orkut. Foi processado e
condenado, em 2009, a um ano e dois meses de prisão. Recorreu da decisão
e não passou um dia sequer na cadeia. Dois anos antes da condenação, em
entrevista ao site Campus Online, da UnB, disse que foi mal
compreendido: “Eu queria criticar o sistema de cotas, fazer uma ironia
de como ele é injusto. Jamais ser racista, como estão dizendo por aí.”
Não era
verdade: nos anos seguintes, Melo aprofundou seu arsenal de ofensas e
ampliou o leque das vítimas. Os negros eram “macacos subdesenvolvidos”.
As mulheres, merecedoras de estupro. Para os homossexuais, ele pregava o
extermínio. Esquerdistas, cristãos, judeus e crianças também eram alvo
de ataques. Ele distribuía ameaças de morte e, aos poucos, passou a
concentrar suas mensagens no site www.silviokoerich.org, motivador da
prisão. Até então, ele mudava frequentemente o veículo usado para
divulgar suas ideias, o que dificultava o rastreamento.
Formado em
Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasília, Melo
também era um hacker habilidoso - e gostava de alardear sua capacidade
de fraudar cartões de crédito. Isolado, o jovem seria provavelmente
apenas um desajustado inofensivo. Mas, na web, encontrou colegas que
compartilhavam sua insanidade - como Emerson Eduardo Rodrigues, o
paranaense que também foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira.
Origem
Filho de uma funcionária do Serviço de Processamento de Dados (Serpro) da Presidência, Melo perdeu o pai ainda criança. Vivia em um apartamento confortável na Asa Norte, bairro central de Brasília. No colégio onde estudou, era alvo de piadas por causa do sobrepeso e por se encaixar no estereótipo de “nerd”. A vida sem sobressaltos financeiros lhe permitiu uma viagem ao Japão, país pelo qual era aficionado. Quando postou mensagens racistas em um fórum da UnB na internet, ele havia acabado de ser aprovado no curso de Letras - Japonês, que abandonou em seguida.
Filho de uma funcionária do Serviço de Processamento de Dados (Serpro) da Presidência, Melo perdeu o pai ainda criança. Vivia em um apartamento confortável na Asa Norte, bairro central de Brasília. No colégio onde estudou, era alvo de piadas por causa do sobrepeso e por se encaixar no estereótipo de “nerd”. A vida sem sobressaltos financeiros lhe permitiu uma viagem ao Japão, país pelo qual era aficionado. Quando postou mensagens racistas em um fórum da UnB na internet, ele havia acabado de ser aprovado no curso de Letras - Japonês, que abandonou em seguida.
O jovem
chegou a se submeter a tratamento psiquiátrico. Na primeira condenação,
Melo teve a pena abrandada porque o juiz o considerou semi-imputável
(apenas parcialmente consciente das consequências de seus atos). Após a
sentença, passou a debochar também da Justiça “Fui condenado a três anos
de liberdade”, postou. Intensificou as ameaças: por mais de uma vez,
prometeu promover um massacre na Universidade de Brasília.
Seu
principal alvo eram alunos das Ciências Humanas. Ele teria escolhido até
a arma para o crime: o fuzil israelense Uzi - o mesmo usado pelo
estudante que matou 32 pessoas na universidade Virginia Tech, nos
Estados Unidos, em 2007. Melo é alvo de quase dez queixas na Polícia
Civil do Distrito Federal, uma delas por agredir a mãe. Também responde a
um segundo processo por racismo, aberto em 2011.
A defesa
alegava insanidade mental, o que deve se repetir agora, com as novas
acusações. Ao manter o site que levou à sua prisão, o pregador do ódio
desdenhou também da Polícia Federal. Deve pagar o preço pelos próximos
anos.
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