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quinta-feira, 22 de março de 2012


A cabana da Mãe Dilma

É, a reunião com o empresariado aconteceu (ver post abaixo). O chão chegou perto de afundar, tal era a fatia do PIB presente. Como indagaria o poeta Ascenso Ferreira, “pra quê?” Por enquanto, a resposta é esta: “Pra nada!” Na madrugada de ontem, escrevi sobre esta reunião o seguinte:
“Ninguém reúne todo esse pibão aí para ‘bater uma DR’, para ‘discutir a relação’. Não que eu desconfie da competência da presidente Dilma para dar aula de capitalismo ao empresariado. Ela já deu aula, na juventude, consta, até de marxismo - que é coisa bem mais complicada. Mas vai dizer o quê? Vai fazer como técnico de vôlei quando pede tempo para interromper uma sequência de pontos do adversário: ‘Vamos lá, pô, os caras tão pegando a gente! Tem de ter mais garra!’? Estaria faltando adrenalina àquela linha de ataque?
Farei uma pergunta que se refere à gestão Dilma e aos oito anos de governo Lula, tão apreciado, consta, pela turma: ‘qual foi mesmo a grande mudança ou grande avanço da gestão petista, que independesse dos humores da economia mundial, além de juros subsidiados e desoneração tributária ad hoc? Alguém aí é capaz de citar uma ao menos, que tenha se integrado como patrimônio permanente?’
Como é preciso lutar pela tal agenda positiva, lá vamos nós. Esse PAC do PAC vai render aos menos uns dois meses de noticiário…” (NOTA: parte desse texto estava truncado no original. Um horror! Arrumei).
Voltei
Pronto! A reunião está feita, alguns setores vão ganhar um presentinho daqui a pouco, fruto da “generosidade” do governo. E tudo ficará bem. Acho que a fala do ex-socialista e atual peemedebista Paulo Skaf, que preside a Fiesp, dá conta da grandeza do evento:
“Hoje a presidente da República se convenceu que há um filho enfermo, que é a indústria da transformação brasileira. E para esse filho ela precisa dar uma atenção especial”.
Compreendi. A “mãe do PAC” é também a “mãe da indústria”. Alguém do Palácio havia vazado a imagem, segundo a qual a presidente queria despertar “o lado animal do empresário”, apelando a uma fala frequente de Delfim. Eu logo pensei naquele troço schumpeteriano, sabem cumé?, da “destruição criadora”, com os “animais” farejando novos nichos de mercado, novas descobertas, novas áreas e coisa e tal…
Mas quê… Schumpeter, por aqui, quer ser dono de cartório.
Por Reinaldo Azevedo

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