Corte de verba na Esplanada atinge aliados e poupa o PT
Por Gustavo Patu, na Folha:
O endurecimento do controle de gastos na administração de Dilma Rousseff pesa mais sobre os ministérios entregues aos sócios minoritários da coalizão governista, o que ajuda a explicar a crise na base de sustentação parlamentar do Planalto. Uma análise do recente bloqueio de R$ 55 bilhões em despesas previstas no Orçamento deste ano mostra que as dez pastas entregues a PMDB, PSB, PR, PP, PDT, PC do B e PRB perderam quase um quarto das verbas de livre aplicação -exatos 23,9%. Dono da segunda maior bancada do Congresso, o PMDB do vice-presidente Michel Temer teve corte de nada menos que a metade das verbas disponíveis em seus quatro ministérios.
O endurecimento do controle de gastos na administração de Dilma Rousseff pesa mais sobre os ministérios entregues aos sócios minoritários da coalizão governista, o que ajuda a explicar a crise na base de sustentação parlamentar do Planalto. Uma análise do recente bloqueio de R$ 55 bilhões em despesas previstas no Orçamento deste ano mostra que as dez pastas entregues a PMDB, PSB, PR, PP, PDT, PC do B e PRB perderam quase um quarto das verbas de livre aplicação -exatos 23,9%. Dono da segunda maior bancada do Congresso, o PMDB do vice-presidente Michel Temer teve corte de nada menos que a metade das verbas disponíveis em seus quatro ministérios.
Já nas 14
pastas ocupadas pelo PT ou por indicações diretas de Dilma, o impacto
dos cortes ficou em apenas um décimo dos recursos destinados a compras e
investimentos -o levantamento não considera gastos obrigatórios, como o
pagamento de salários e aposentadorias. Os dados explicitam a
assimetria da divisão de poder na Esplanada, mais aguda na atual
administração. Os petistas assumem áreas mais prioritárias e, portanto,
menos sujeitas a ajustes, caso de Saúde e Educação, além de postos de
decisão, como Fazenda e Planejamento.
Os aliados
ficam com a periferia orçamentária destinada ao varejo político, cujos
exemplos principais são as obras e projetos de interesse de deputados e
senadores distribuídas entre Turismo, Integração Nacional, Esporte,
Cidades e Agricultura. Essa lógica já vigorava, com contrastes mais
amenos, sob o ex-presidente Lula. Mas o antecessor de Dilma pôde relaxar
controles fiscais e expandir gastos, prioritários ou não, ao longo de
todo o seu segundo mandato. A generosidade do período, em especial no
ano eleitoral de 2010, contribuiu para alimentar a alta da inflação e
deixou como herança a necessidade de reequilibrar as contas do Tesouro
-ainda mais porque a crise internacional tornou menos provável a
sucessão de recordes na arrecadação tributária.
A FORÇA DO PT
Com a escassez de dinheiro, tornou-se mais evidente a hierarquia de órgãos, programas e forças políticas. Os ministérios do Esporte (PC do B) e do Turismo (PMDB) sofreram cortes superiores a 70% de suas verbas livres, formadas principalmente por despesas incluídas no Orçamento pelos congressistas e conhecidas como emendas parlamentares.
(…)
Com a escassez de dinheiro, tornou-se mais evidente a hierarquia de órgãos, programas e forças políticas. Os ministérios do Esporte (PC do B) e do Turismo (PMDB) sofreram cortes superiores a 70% de suas verbas livres, formadas principalmente por despesas incluídas no Orçamento pelos congressistas e conhecidas como emendas parlamentares.
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