Modo petista de planejar - Custo da transposição do São Francisco aumenta 71% e vai superar R$ 8 bilhões
Por Marta Salomon, no Estadão:
Vencido o prazo original em que a transposição do Rio São Francisco deveria estar pronta e funcionando no semiárido nordestino, a obra registrou aumento de R$ 3,4 bilhões - ou 71% - em seus custos em relação à previsão inicial, segundo a mais recente estimativa feita pelo Ministério da Integração Nacional. Desde o início do governo Dilma Rousseff, o custo total da obra pulou de R$ 4,8 bilhões para R$ 8,2 bilhões. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva previa inaugurar a obra em 2010.
Vencido o prazo original em que a transposição do Rio São Francisco deveria estar pronta e funcionando no semiárido nordestino, a obra registrou aumento de R$ 3,4 bilhões - ou 71% - em seus custos em relação à previsão inicial, segundo a mais recente estimativa feita pelo Ministério da Integração Nacional. Desde o início do governo Dilma Rousseff, o custo total da obra pulou de R$ 4,8 bilhões para R$ 8,2 bilhões. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva previa inaugurar a obra em 2010.
Isso
significa que, se a transposição fosse uma aplicação financeira, teria
rendido 65% acima da inflação do período. Para essa comparação, o Estado usou
a variação de preços medida pelo IPCA, índice usado no regime de metas
de inflação do governo. A alta foi de 8,2% entre dezembro de 2010 e
março de 2012.
A construção
de cerca de 600 quilômetros de canais de concreto que desviarão parte
das águas do rio ainda deve consumir mais 45 meses. O preço aumentou com
a renegociação dos contratos originais e o lançamento programado de
mais de R$ 2,6 bilhões em novas licitações.
Iniciada em
2007 como a mais cara a ser paga com dinheiro dos tributos entre os
projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a obra da
transposição do São Francisco está parada em três trechos: em Salgueiro
(PE), Verdejante (PE) e São José das Piranhas (PB). Os contratos
originais referentes a esses trechos serão rompidos e haverá nova
licitação. Também serão licitados trechos de obras “remanescentes” ao
longo de quase toda a extensão do projeto.
Há dois
outros trechos em reforma, pois placas de concreto que haviam sido
colocadas racharam, registraram fissuras, ou se deslocaram, supostamente
por falhas na drenagem de canais que não suportaram chuvas fortes.
Todos os
demais trechos tocados pela iniciativa privada tiveram os preços
aumentados em até 25%, limite fixado pela lei de licitações.
Novos editais. Só
neste mês, o Ministério da Integração Nacional lança quatro novos
editais para a licitação de R$ 2 bilhões em obras. Até junho, outros
dois editais serão lançados, ao custo estimado em R$ 645 milhões. O
total é superior ao previsto pelo ministro Fernando Bezerra Coelho menos
de três meses atrás, quando revelou ao Estado que a obra custaria R$ 1,2 bilhão extra.
Responsável
pela obra, o Ministério da Integração atribuiu o aumento do custo da
obra a adaptações no empreendimento, em decorrência do detalhamento dos
projetos. As obras começaram de forma apressada, sem os respectivos
projetos executivos. Além disso, segundo o ministério, “a forte demanda”
sobre a construção civil e a construção pesada pressionou os custos.
No mesmo
período em que o preço da transposição aumentou 71%, os custos da
construção civil no Brasil cresceram 6,9%. No Nordeste, local da obra,
os custos cresceram 7,2%.
O Ministério
do Planejamento, que coordena o PAC, autorizou o aumento do custo da
obra. “Os aditivos são explicados pelo avanço dos projetos executivos,
que têm identificado, com maior grau de precisão, as intervenções
necessárias para a completude (sic) do projeto de interligação (sic) do
São Francisco”, informou em nota a assessoria da ministra Miriam
Belchior.
O início das
obras, em 2007, sem o projeto executivo, não seria um caso único entre
os projetos do PAC, continua a nota, que classifica o projeto como
“estratégico, desafiador e fundamental” para 390 cidades dos Estados de
Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
O Ministério
da Integração evita criticar abertamente o início das obras sem um
projeto detalhado porque isso aconteceu sob a gestão do então ministro
Ciro Gomes, correligionário no PSB do atual ministro Fernando Bezerra e
padrinho do novo secretário de recursos hídricos da pasta, Francisco
Teixeira, principal executivo da transposição. No início das obras,
Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, era citada como a “mãe” do
PAC.
(…)
(…)
Nenhum comentário:
Postar um comentário