Lula, o Marechal Tito de uma Iugoslávia chamada PT
Pode
parecer normal, coisa do jogo político, mas, lamento, não é. Ao
contrário: estamos diante da expressão de uma crise. Hoje foi a vez de
Fernando Haddad visitar Lula e ter uma foto da dupla divulgada pelo
Instituto Lula. Nem a rainha da Inglaterra — para usar a metonímia (viu,
Pedrinho?) da realeza — tem sua vida tão documentada. A razão é
simples. Não temos mais monarquias absolutistas no mundo, exceção feita à
Arábia Saudita e a alguns paisecos que se tornaram folclóricos. Lula é o
monarca absolutista com maior visibilidade no Ocidente.
Por
enquanto, o ex-presidente não pode falar. Então ele envia recados por
intermédio de suas visitas: Lula acha isso; Lula pensa aquilo; Lula quer
aquele outro. Lula é, em suma, um elemento perversamente unificador da
política. Escrevo “perversamente unificador” porque nada cresce à sua
sombra, como se vê. Diga o que se quiser de Dilma — que é intolerante
com a corrupção (pode ser), com o fisiologismo (pode ser), com os
oportunistas (pode ser) —, só não se diga que ela é uma liderança
política. Se vai ser ainda, veremos.
A verdade é
que a crise que está aí instalada — e, convenham, sem um motivo muito
claro; não para que seja tão crispada ao menos — é fruto de um notável
autoritarismo de Lula e, como dito, de seu absolutismo. Dilma, a exemplo
do próprio Haddad em escala municipal, é uma invenção sua. Dá pra
discutir se o PT tinha ou não tinha outros nomes viáveis; dá pra debater
se a escolha obedecia a uma equação ditada pelo marketing; dá para
indagar se havia ou não gente mais competente no próprio PT… Uma coisa,
no entanto, é absolutamente indiscutível: Lula tinha experiência
política para governar (goste-se ou não de sua gestão). Dilma era uma
aposta, na origem, de impressionante irresponsabilidade política.
Esclareço o
que digo, já que, hoje em dia, o sentido das palavras parece viver uma
certa falência. Não acho que Dilma esteja fazendo um governo temerário
ou irresponsável, não! É medíocre, é fraco, não tem eixo nem rumo. Mas
estamos muito longe do caos, é evidente. O que quero dizer com isso é
que, dada a sua brutal inexperiência no jogo político e óbvia
inabilidade, ela até que se sai bem. Ao contrário da fala do Gigante
Adamastor (Os Lusíadas), com Dilma, o dano é menor do que o perigo —
este era imenso; até que está saindo barato.
Como tudo
está em transe na base governista e como a oposição vive seu momento
silencioso (o DEM acuado pelas denúncias contra o senador Demóstenes
Torres; o PSDB nacional, parece, pela falta do que dizer ), Lula, que
ainda não pode falar em público, se torna a única voz ainda firme da
política; aquele de quem se espera algum norte, alguma articulação
mágica, alguma resposta.
Que coisa!
Em meio a tanta barulheira, a política se tornou refém do silêncio de
Lula. É um sinal de fraqueza da oposição, sim!, incapaz de articular uma
reação mesmo a um governo descoordenado. Mas também é evidência de que o
PT é, assim, uma espécie de Iugoslávia do Marechal Tito. A balcanização
o espreita. É questão de tempo.
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