Quando Dilma e Amorim decidiram punir reservistas, havia 98 assinaturas em documento; agora, já são 386; havia 13 generais; agora, há 42, dois ex-ministros do STM
Então…
Da próxima, em vez de a presidente Dilma Rousseff dar ouvidos a Celso
Amorim, o Megalonanico, escuta o Tio Rei, que não é nanico… Eu bem que
chamei a atenção da Soberana para o direito que têm os militares da
reserva de se manifestar. Há uma lei a respeito, conforme deixei claro
aqui. Mais: reservistas não têm armas, não podem ameaçar ninguém. No
caso em questão, os dois textos que deixaram a presidente brava não
traziam e não trazem incitamento à indisciplina ou algo parecido.
Expliquei tudo direitinho aqui e aqui.
Quando
Amorim e Dilma decidiram dar um chilique, contrariando o conteúdo da lei
7524/86, o segundo manifesto contava com 98 assinaturas — 13 generais.
No momento, já são 386 adesões, com 42 oficiais-gerais, dois deles
ex-ministros do Superior Tribunal Militar. Quem está incitando o
confronto é Amorim, que é dado a demonstrações ociosas de autoridade.
Que se
reitere: ninguém aqui ou fora daqui está incitando indisciplina militar.
Ao contrário: entendo que os militares da ativa, os da reserva, o
ministro da Defesa e a presidente da República estão obrigados a cumprir
a lei. Ponto final. Caso Dilma e Amorim insistam, as advertências serão
aplicadas, e os punidos podem recorrer à Justiça. Havendo o triunfo da
lei — que é explícita a mais não poder —, terão todos a devida
reparação. No Estado de direito é assim.
Eis, em
suma, uma crise inútil. Lula é quem é, mas se diga uma coisa em seu
benefício. Jamais teria caído nessa roubada. Quando menos, Nelson Jobim
lhe teria dito que o confronto era uma desnecessidade e que os efeitos
do primeiro documento seriam mínimos. Tudo teria sido resolvido na
conversa. Amorim, o megalonanico belicoso, resolveu agir de modo
diferente: “Pega eles, Soberana; pega eles! Estamos sendo
desrespeitados!” Eis aí o resultado.
Leiam texto de Tania Monteiro no Estadão online. Volto para encerrar.
Não será fácil para os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica resolverem o imbróglio criado pela presidente Dilma Rousseff por ter decidido punir com advertência todos os militares que assinaram o manifesto “Alerta à nação - Eles que venham, por aqui não passarão”, que endossa as críticas a ela por não ter censurado suas ministras que pediram a revogação da lei de anistia.
Não será fácil para os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica resolverem o imbróglio criado pela presidente Dilma Rousseff por ter decidido punir com advertência todos os militares que assinaram o manifesto “Alerta à nação - Eles que venham, por aqui não passarão”, que endossa as críticas a ela por não ter censurado suas ministras que pediram a revogação da lei de anistia.
A presidente
já havia se irritado com o manifesto dos Clubes Militares, lançado às
vésperas do Carnaval, e depois retirado do site, e ficou mais irritada
ainda com o novo documento, no qual eles reiteram as críticas e ainda
dizem não reconhecer a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim,
para intervir no Clube Militar.
Inicialmente,
o manifesto tinha 98 assinaturas. Na manhã da quinta-feira, após terem
tomado conhecimento da decisão de puni-los, o número de seguidores subiu
para 235 e no início da tarde de sexta-feira chegou a 386 adesões,
entre eles 42 oficiais-generais, sendo dois deles ex-ministros do
Superior Tribunal Militar. A presença de ex-ministros do STM adiciona um
ingrediente político à lista, não só pelo posto que ocuparam, mas
também porque, como ex-integrantes da Corte Militar, eles têm pleno
conhecimento de como seus pares julgam neste caso.
O Ministério
da Defesa e os comandos militares ainda estão discutindo internamente
com que base legal os militares podem ser punidos. Várias reuniões foram
convocadas pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, e os comandantes
militares nos últimos dias para discutir o assunto. Mas há divergências
de como aplicar as punições. A Defesa entende que houve “ofensa à
autoridade da cadeia de comando”, incluindo aí a presidente Dilma e o
ministro da Defesa. Amorim tem endossado esta tese e alimentado a
presidente com estas informações. O ministro entende que os militares
não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus
superiores hierárquicos, em um claro desrespeito ao Estatuto do Militar.
Só que, nos
comandos, há diferentes pontos de vista sobre a lei 7.524, de 17 de
julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que diz que os
militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão
sujeitos a reprimendas. No artigo primeiro da lei está escrito que
“respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao
militar inativo, independentemente das disposições constantes dos
Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre
assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico,
filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público”. Esta
legislação acabou dando origem a Súmula 56 do Supremo Tribunal Federal.
Esta zona
cinzenta entre as legislações, de acordo com informações obtidas junto a
militares, poderá levar os comandantes a serem processados por danos
morais e abuso de autoridade, quando aplicarem a punição de repreensão,
determinada por Dilma. Nos comandos, há a preocupação, ainda, com o fato
de que a lista de adeptos do manifesto só cresce, o que faria com que
este tema virasse uma bola da neve, já que as adesões são cada vez mais
consistentes.
Há quem ache
que o assunto precisasse ser resolvido de uma outra forma, a partir de
uma conversa da presidente com os comandante militares, diretamente,
para que fosse costurada uma saída política para este imbróglio que
parece não ter fim já que a determinação do Planalto é de que todos que
já assinaram e que venham ainda a aderir ao manifesto sejam punidos. O
Planalto, no entanto, descarta esta possibilidade.
Até agora
nenhum militar da ativa assinou o documento. Se isso ocorrer, a punição
será imediata e não será com advertência, mas poderá chegar a detenção
do “insubordinado”. Quanto ao general Rocha Paiva, que deu entrevista
para o programa da Miriam Leitão, lançando suspeita sobre participação
de Dilma em atentado e duvidando que ela tenha sido torturada, a
princípio, nada será feito contra ele porque a entrevista já teria sido
concedida muito antes da atual crise e o contexto é considerado outro.
Encerro
E pensar que tudo isso nasceu porque uma ministra do Estado, Maria do Rosário, resolveu fazer uma exortação contra a letra da lei e contra decisão do Supremo e porque outra, Eleonora Menicucci, resolveu contar, no discurso de posse, uma história falsa como nota de R$ 3. Proibidos de se manifestar, os militares da ativa se calaram. E fizeram bem. Autorizados por lei a falar, os reservistas falaram.
E pensar que tudo isso nasceu porque uma ministra do Estado, Maria do Rosário, resolveu fazer uma exortação contra a letra da lei e contra decisão do Supremo e porque outra, Eleonora Menicucci, resolveu contar, no discurso de posse, uma história falsa como nota de R$ 3. Proibidos de se manifestar, os militares da ativa se calaram. E fizeram bem. Autorizados por lei a falar, os reservistas falaram.
Dilma tem de
se conformar com as regras do estado democrático e de direito. Os
militares, da ativa e da reserva, felizmente, já se convenceram de que
este é o melhor caminho para o Brasil: o triunfo da lei. Que os civis
agora façam o mesmo.
Tags: Celso Amorim, militares
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