DILMA NÃO TEM AUTORIDADE OU LEGITIMIDADE PARA PROIBIR UMA VIÚVA DE TOMAR CHICABON NO PORTÃO! Ou: A tirania, a gravata de bolinhas, a cueca samba-canção e o passeio do Seu Zé! Uma quase-fábula antiga!
Há uma tese ridícula, que circula aqui e ali, segundo a qual os militares da reserva que assinaram aquele texto de protesto
estariam contestando a autoridade do ministro Celso Amorim (Defesa).
Lê-se lá sobre a censura determinada por Amorim ao primeiro texto dos
clubes militares:
“Em
uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no
site do Clube Militar, a partir do dia 16 de fevereiro próximo passado, e
dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional,
por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo
de autoridade ou legitimidade para fazê-lo.”
AS PALAVRAS FAZEM SENTIDO!
Como a lei
garante, de modo claro, inequívoco, sem subterfúgios, o direito de
manifestação dos militares, eu também não reconheço — e qualquer
legalista não reconheceria — nem “autoridade” nem “legitimidade” para
Amorim fazer o que fez. Ora, se a lei não lhe faculta tal expediente,
faltam-lhe autoridade e legitimidade para tanto.
É óbvio, não!
Pense num Chicabon!
Agora pense na viúva, uma daquelas de Nelson Rodrigues, que decidisse, mal enterrado o marido, tomar um Chicabon de minissaia no portão.
Dilma tem autoridade e legitimidade para muita coisa, mas não pode proibir a viúva de tomar um Chicabon, de minissaia, no portão.
Agora pense na viúva, uma daquelas de Nelson Rodrigues, que decidisse, mal enterrado o marido, tomar um Chicabon de minissaia no portão.
Dilma tem autoridade e legitimidade para muita coisa, mas não pode proibir a viúva de tomar um Chicabon, de minissaia, no portão.
Dilma pode
até levar o Brasil à guerra, com a autorização do Congresso. Mas não
pode proibir o uso de gravata de bolinhas. Não tem autoridade e
legitimidade pra isso.
Dilma pode
centralizar o câmbio, causar um tsunami econômico; pode até tomar
medidas que levem o país à bancarrota e ferre o nosso futuro. Mas não
pode impor cuecas samba-canção porque fazem bem à fertilidade masculina.
Faltam-lhe autoridade e legitimidade para tanto.
Dilma pode
dar os rumos da política externa brasileira, mas não pode decidir o rumo
do Seu Zé, que mantém o direito de ir e vir. Faltam-se autoridade e
legitimidade para esse fim.
Dilma não
pode, infelizmente, proibir a pochete, o Bolero de Ravel, a comida
japonesa, gergelim e derivados (sou alérgico, pô!), música eletrônica,
gols do Palmeiras…
Tiranos não
entendem a democracia. Todos eles, sem exceção, cultivaram e cultivam
hábitos exóticos. O prazer do mando acaba se estendendo às coisas
mínimas, aos fricotes, aos transtornos obsessivo-compulsivos, de que
todos padecemos em algum grau, intuo eu. Como podem tudo, transformam
suas manias em leis. É por isso que, ao ler a biografia de um desses,
pegamo-nos, num dado momento, algo fascinados pelo crápula. De algum
modo, vivemos, ainda que com o devido asco, a fantasia do poder
absoluto. Um tirano entende que só tem poder de verdade se puder, de
fato, tudo.
Isso está
presente em estado mais do que larvar no petismo. Pensem na fúria com
que Lula sempre avançou contra o antecessor, FHC, e os tucanos de
maneira geral. Não lhe bastava ser um continuador das boas obras do
outro e, claro!, um inaugurador da própria obra. Isso significaria não
ter poder absoluto também sobre o passado, que é o outro sonho das almas
tiranas. Stálin mandou retocar fotos oficiais — e até as não-oficiais —
da consolidação do poder bolchevique eliminando seus adversários. O que
fez Lula ao longo de oito anos — e faz ainda — a não ser esse photoshop
na história? Os intelectuais do petismo atuam do mesmo modo. Mas não
quero perder o fio.
Na
democracia, um governante é eleito para exercer o poder segundo a lei.
Só pode fazer o que ela lhe permite — é para isso que tem legitimidade e
autoridade.
Assim, eu, Reinaldo Azevedo, não reconheço a autoridade e a legitimidade de Dilma para:
- meter-se na vida da viúva que toma Chicabon:
- arbitrar sobre gravata de bolinhas;
- obrigar o uso das cuecas samba-canção (que eu recomendo! Liberdade, liberdade!!!);
- decidir o itinerário do Seu Zé.
- meter-se na vida da viúva que toma Chicabon:
- arbitrar sobre gravata de bolinhas;
- obrigar o uso das cuecas samba-canção (que eu recomendo! Liberdade, liberdade!!!);
- decidir o itinerário do Seu Zé.
E não tem
autoridade e legitimidade, também, para punir os militares que assinaram
aquele texto. A razão é simples: a lei não lhe dá nem uma coisa nem
outra.
A
democracia, governanta, é esse regime esquisito mesmo, que os
esquerdistas nunca entenderam: confere ao governante poderes
formidáveis, que podem fazer a felicidade ou a desgraça de um povo, mas
não o direito de interferir em escolhas pessoais as mais banais, fazer o
que não está na lei ou agir contra a lei.
Nunca é tarde para aprender!
Tags: democracia, militares
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