Comissão da Verdade, ditadura etc… As coisas que escrevo sempre e as que jamais escrevi
A
lista das coisas que não escrevi e que me atribuem é imensa. O método
dos covardes é sempre o mesmo: “Reinaldo Azevedo disse que…”, sem jamais
mostrar o texto original de onde teria saído a minha alegada opinião.
Querem um caso? Jamais me opus ao pagamento de indenização a pessoas, ou
a seus familiares, que, uma vez detidas por forças do estado — ou mesmo
paraestatais — tenham sido submetidas a maus-tratos ou mortas. Escrevo
isso desde sempre. Neste blog, no dia 27 de julho de 2006 (a página
existia havia um mês): “Já escrevi algumas vezes e repito: as
famílias daqueles presos que desapareceram nas mãos do Estado merecem,
sim, indenização. Ele não pode fazer desaparecer indivíduos, matá-los
(…)” O mesmo vale para os casos de tortura. Eu sempre me opus é
à indústria da indenização, é à Bolsa-Ditadura, ao escandaloso
pagamento de indenização mesmo a pessoas que foram presas de arma na
mão, tentando matar também — ou que efetivamente mataram. Sem contar
alguns vagabundos, inclusive jornalistas, que resolveram
arrancar milhões do estado sob o pretexto de que foram perseguidos. Há
até notórios colaboracionistas que pegaram uma graninha!
Também nunca
escrevi, nem de longe, que só pessoas que defendiam a luta armada ou
que a pregavam abertamente foram presas ou mortas. Este não sou eu. Há
dois casos emblemáticos, entre outros: o deputado Rubens Paiva e o
jornalista Vladimir Herzog. Eram adversários do regime militar, sim, mas
não defendiam nem estavam ligados a qualquer movimento armado. ATENÇÃO!
AINDA QUE ESTIVESSEM, O ESTADO NÃO TINHA O DIREITO DE TORTURÁ-LOS OU
MATÁ-LOS. Isso eu também escrevo desde sempre.
O que não
aceito — e não haverá patrulha que a tanto me force — é fraudar os
fatos. Algumas figuras que hoje posam por aí de pombas da paz e de
defensoras da democracia desde criancinha estão reescrevendo a própria
biografia. Não houve uma só corrente que tenha aderido à luta armada que
defendesse democracia. Também já escrevi que o regime democrático
morreu em 1964 por falta de quem o defendesse de verdade, de um lado e
de outro.
Eu penso,
sim, que é preciso tentar saber onde estão os desaparecidos. Será com a
comissão? Que seja! Mas é preciso respeitar as leis e os fatos. Atenção!
Os fatos já são bastante graves em si. As esquerdas não precisam
mentir.
No dia No dia 31 de março de 2011,
escrevi um post sobre uma entrevista que a presidente Dilma Rousseff
concedeu ao jornalista português Souza Tavares. Num dado momento,
travou-se o seguinte diálogo:
Sousa Tavares -
O que [a senhora] vai fazer, se é que vai fazer alguma coisa, com
relação aos arquivos desse tempo [da ditadura], que estarão guardados
aqui a apodrecer em Brasília. Os arquivos onde se julga poder encontrar o
destino, o que aconteceu aos 500 brasileiros, mortos sem sepultura, cujas famílias não sabem quando é que morreram, onde, onde é que estão?
Dilma -
A Comissão da Verdade, que é a proposta que nós mandamos ao Congresso,
ela tem por objetivo resgatar uma coisa que é algo fundamental, qual
seja: o direito sagrado de as pessoas enterrarem seus mortos. Enterrar
não é um ato físico apenas. Muitas vezes, enterrar é um gesto simbólico,
psicológico, moral e ético. Então essas milhões… Milhões não é… centenas de pessoas e algumas milhares que tiveram seus filhos mortos, elas têm todo o direito de enterrá-los, dessa cerimônia. E o estado deve a elas uma explicação”.
Voltei
Por que o festival de mentira e de desinformação? O jornalista fala em 500 desaparecidos. Não! São 136 pessoas, conforme deixa claro o texto que fundamenta a criação da Comissão da Verdade. Atenção! Não deveria ter havido uma única! O número real já me parece grave. Ao responder, Dilma saiu divagando e fala, santo Deus, em “milhões”, depois “centenas”, aí “milhares que tiveram seus filhos mortos”. Ora, os mortos, incluindo os desaparecidos dados como tal, são 424, segundo o livro “Dos Filhos Deste Solo”, escrito pelo petista Nilmário Miranda.
Por que o festival de mentira e de desinformação? O jornalista fala em 500 desaparecidos. Não! São 136 pessoas, conforme deixa claro o texto que fundamenta a criação da Comissão da Verdade. Atenção! Não deveria ter havido uma única! O número real já me parece grave. Ao responder, Dilma saiu divagando e fala, santo Deus, em “milhões”, depois “centenas”, aí “milhares que tiveram seus filhos mortos”. Ora, os mortos, incluindo os desaparecidos dados como tal, são 424, segundo o livro “Dos Filhos Deste Solo”, escrito pelo petista Nilmário Miranda.
Qual é o meu
pecado? Trabalhar com os números corretos? Ao fazê-lo, não estou
afirmando, sugerindo ou inferindo que a ditadura foi mole, não! Mas é
certo que ela jamais assumiu as dimensões, em número de mortos, da
tirania cubana, que fuzilou 17 mil pessoas e responde, indiretamente,
pela morte de mais de 80 mil que tentaram fugir da ilha — que tem 1/18
da população brasileira. O vexaminoso é ver que, no Brasil, os
defensores da Comissão da Verdade, como Maria do Rosário, são também,
com raras exceções, defensores do regime cubano. Dona Maria do Rosário
afirmou não ver problemas de direitos humanos na ilha e aproveitou para
atacar os… EUA!!!
Qual é o meu
outro pecado? Lembrar que os terroristas de esquerda mataram quase 120
pessoas naquele mesmo período, embora não passassem de meia-dúzia de
gatos pingados, o que evidencia o alto grau de letalidade de suas ações?
Qual é o problema dessa gente em conviver com os fatos?
Volto ao ponto
Que se tente saber, sim, o destino dos desaparecidos. Eu jamais me opus a isso. Que se reconstituam os fatos daquele período, mas com respeito às leis e aos fundamentos do moderno estado brasileiro, sem falsos heroísmos. Só uma “Comissão da Verdade” poderia fazê-lo? Olhem aqui: eu não reconheço ao estado — A ESTADO NENHUM, POR MAIS DEMOCRÁTICO QUE SEJA! — a prerrogativa de determinar a “verdade oficial”. Trata-se de uma concepção autoritária em si. Eu comecei a me interessar pelo mundo que estava fora de mim, ali pelos 14 anos, desconfiando, justamente, de verdades oficiais. E, por isso, fui, digamos assim, para a oposição. Se há jornalistas que são sempre governistas, acho que sempre fui “oposicionista” (inclusive, sim!, no governo FHC, como bem sabe quem acompanhou a minha trajetória).
Que se tente saber, sim, o destino dos desaparecidos. Eu jamais me opus a isso. Que se reconstituam os fatos daquele período, mas com respeito às leis e aos fundamentos do moderno estado brasileiro, sem falsos heroísmos. Só uma “Comissão da Verdade” poderia fazê-lo? Olhem aqui: eu não reconheço ao estado — A ESTADO NENHUM, POR MAIS DEMOCRÁTICO QUE SEJA! — a prerrogativa de determinar a “verdade oficial”. Trata-se de uma concepção autoritária em si. Eu comecei a me interessar pelo mundo que estava fora de mim, ali pelos 14 anos, desconfiando, justamente, de verdades oficiais. E, por isso, fui, digamos assim, para a oposição. Se há jornalistas que são sempre governistas, acho que sempre fui “oposicionista” (inclusive, sim!, no governo FHC, como bem sabe quem acompanhou a minha trajetória).
Quando à
questão da hora, a punição aos militares da reserva, determinada pela
presidente Dilma Rousseff e pelo ministro Celso Amorim, fazer o quê? Se
os textos legais fazem sentido e têm de ser cumpridos, a ordem é
simplesmente ilegal. Alguns ficam bravos comigo porque chamo as coisas
pelo nome que as coisas têm. Fazer o quê?
Querem me
combater? Que o façam! Mas combatam o que escrevo, não o que gostariam
que eu tivesse escrito para facilitar o seu trabalho sujo.
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