Chalita, este exemplo de cumprimento da palavra empenhada
O
deputado Gabriel Chalita (SP), pré-candidato do PMDB à Prefeitura de
São Paulo, já andou dizendo por aí que “bato” nele a serviço de José
Serra, pré-candidato do PSDB. Errado! Eu não gosto é do que ele pensa,
do que representa, da forma como, entendo, manipula uma faixa dos
eleitores católicos. A maneira como entrou na campanha de Dilma Rousseff
para tentar negar o que a própria então candidata havia afirmado sobre o
aborto integra a história das manipulações sórdidas da verdade. O fato é
que este senhor foi eleito representando, em tese ao menos, um conjunto
de valores e os rendeu aos pés do projeto político petista, que ia em
sentido contrário. De resto, não “bato” em ninguém; critico. Chalita
convive mal com a crítica, já deu para perceber.
No Estadão de hoje, lá está ele a atacar
José Serra porque deixou a Prefeitura em 2006 para se candidatar etc e
tal. Já escrevi um texto a respeito dessa bobagem que tem marca: PT!
Ora, é claro que o partido ficou infeliz com Serra em 2004 — porque
tirou uma vitória considerada certa de Marta Suplicy — e em 2006: sem o
tucano, Aloizio Mercadante teria sido eleito governador de São Paulo.
ATENÇÃO! Em
2004, Marta concorria à reeleição. De tal sorte contava em deixar a
Prefeitura em 2006 que o partido pôs como seu vice ninguém menos do que
Rui Falcão. Os petistas se recusaram a dar o cargo de vice para o PMDB
porque consideravam que seria “entregar a Prefeitura para Quércia”. Qual
é? Essa conversa toda é para idiotas desmemoriados. Agora voltemos a
Chalita.
Em 2006, o
sr. Gabriel Chalita se candidatou a vereador pelo PSDB. Foi eleito. Dois
anos depois, deu uma banana para o eleitorado do PSDB, que faz oposição
ao PT, e migrou para o PSB, que é base de apoio do PT. Passou, então, a
ser lulista. No PSB, candidatou-se a deputado federal. Foi eleito.
Mandou de novo às favas o eleitorado “socialista” e migrou para o PMDB
de Michel Temer e José Sarney. Na comparação com Serra, note-se, ele
perde feio, entre muitos outros, num quesito: respeito àqueles que o
elegeram. Serra não mudou de lado. Nem de partido. Chalita mudou de lado
e de partido. Fala com que autoridade? A propósito: os que o elegeram
vereador pelo PSDB em 2006 não esperavam que ele cumprisse os quatro
anos de mandato pela legenda? Ele não quis nem saber. Cumpriu só dois
anos e se bandeou para as hostes dos antes adversários.
Ser
“moralista” assim é fácil, não? Chalita fala as suas bobagens sem ser
questionado pela imprensa porque, agora, ele passou a ser um
“progressista”, entenderam? Antes, era tido como “conservador” — coisa
que nunca considerei, é evidente. De “conservadores” como Chalita o
inferno (é uma metáfora!) está cheio!
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