Um certo “Eles Ninguém” que aposta na crise
Goste-se
ou não do governo Dilma, uma coisa é fato: ela tem um estilo menos
falastrão do que o do antecessor, e isso é uma coisa boa em si, ainda
que a gestão seja fraca. Mas sabem como é a tentação… Nesta terça, a
presidente fez um discurso na cerimônia que comemorou o Dia Mundial do
Meio Ambiente. Lá pelas tantas, saiu-se com esta:
“Quem aposta na crise, como alguns apostaram há quatro anos atrás, vai perder de novo. Enfrentaremos novas dificuldades com transparência, sem esconder problemas, mas com metódica e cuidadosa ação governamental. Vamos continuar crescendo, incluindo, protegendo e conservando o meio ambiente”.
“Quem aposta na crise, como alguns apostaram há quatro anos atrás, vai perder de novo. Enfrentaremos novas dificuldades com transparência, sem esconder problemas, mas com metódica e cuidadosa ação governamental. Vamos continuar crescendo, incluindo, protegendo e conservando o meio ambiente”.
Algumas
coisas, bem poucas, me dão sono. Uma é “filme de arte”; outra é discurso
contra o que chamo “Eles Ninguém”. A presidente poderia renunciar a
esta péssima herança deixada por Lula: atribuir dificuldades objetivas
enfrentadas pelo governo a uma espécie de urucubaca ou de macumba feita
pelos “inimigos”. Quem são “eles”, soberana? Quem, afinal, “aposta na
crise” ou, sei lá, torce contra o Brasil?
Dilma está
pressionada. Cresce a percepção no mundo de que está em curso uma
reversão de expectativas no Brasil. O recente pacote de incentivo ao
consumo encontra uma sociedade endividada, e é pouco provável que
produza os efeitos esperados. No começo do ano, o governo falava em um
crescimento de 4%. Hoje, são poucos os que apostam que possa chegar a
3%.
O governo é
gastador, e isso não é segredo para ninguém. Embora a carga tributária
bata sucessivos recordes (mesmo com expansão modesta da economia), as
despesas se expandem sempre mais. Dilma não mudou a perspectiva
meramente defensiva em relação a essa questão: “Não adianta defender
políticas de ajuste, e nós sabemos disso porque sofremos isso na nossa
própria pele, sem que o país cresça”. A questão, e Dilma sabe disso, não
está em gastar menos ou mais, mas na qualidade desse gasto.
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