PGR denuncia Arruda e mais 36 por mensalão do Distrito Federal
Por Laryssa Borges e Gabriel Castro, na VEJA Online:
Por Reinaldo Azevedo
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ofereceu denúncia ao Superior
Tribunal de Justiça (STJ) contra 37 suspeitos de envolvimento no
mensalão do Democratas, esquema de corrupção desbaratado pela Operação
Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Entre os denunciados estão o
governador cassado do Distrito federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), e
seu vice, Paulo Octávio, os ex-deputados distritais Leonardo Prudente
(ex-DEM), Eurides Brito (PMDB) e Júnior Brunelli (ex-PSC) e o delator do
esquema, Durval Barbosa.
De acordo
com o chefe do Ministério Público, os denunciados responderão pelos
crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O
STJ é foro para processar e julgar os suspeitos de participar do
mensalão do DEM pelo fato de a denúncia também envolver o conselheiro
do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Domingos Lamoglia, apontado
como integrante do esquema. As petições do procurador-geral, que também
encaminhou ao tribunal 70 caixas de documentos, chegaram nesta
quinta-feira ao STJ. O tribunal não tem prazo para levar o caso a
julgamento na Corte Especial. O relator é o ministro Arnaldo Esteves
Lima.
Roriz escapou -
O procurador-geral chegou a anunciar que a denúncia incluía 38 réus,
mas o ex-governador do DF, Joaquim Roriz, de 75 anos, não pode mais ser
punido porque o crime está prescrito em seu caso. Por isso, a denúncia
apresentada ao STJ terá 37 réus. ”Joaquim Domingos Roriz integrou este
núcleo da quadrilha até quando dela se desligou, no final de 2006.
Esta conduta está prescrita porque, em razão de sua idade superior a 70
anos, a prescrição conta-se pela metade”, diz trecho da denúncia.
De acordo com o Ministério Público, Roriz atuou no esquema de
cobrança de propina de empresas até 2006, mas não pode mais ser
condenado pelo crime de formação de quadrilha pelo Poder Judiciário.
“Há membros que se integraram ao grupo criminoso desde seu início,
outros juntaram-se em fase mais recente e outros deixaram o grupo a
certa altura. Joaquim Domingos Roriz deixou o grupo em 2006, razão pela
qual o crime de quadrilha está prescrito em relação a ele”, relata a
denúncia.
Relembre o caso -
A Operação Caixa de Pandora foi deflagrada pela Polícia Federal e pelo
Ministério Público em 30 de setembro de 2009. O pivô das investigações
foi Durval Barbosa, que ocupou postos-chave nos governos de Joaquim
Roriz e José Roberto Arruda. Beneficiado com a delação premiada, ele
revelou detalhes do amplo esquema de corrupção que, durante pelo menos
uma década, funcionou no governo distrital.
As acusações
envolvem desvios de recursos em contratos do governo com empresas de
informática e publicidade, cooptação de parlamentares e caixa dois de
campanha eleitoral. Mesmo com a formalização da denúncia no STJ, o
procurador-geral não descarta que mais empresas do DF possam ter
participado do esquema.
De acordo
com o procurador-geral, dependendo do tipo de contrato a ser celebrado
com o governo, a divisão da propina podia chegar a 10% para secretários
de estado, 30% para José Roberto Arruda e 20% para Paulo Octavio.
Conforme a denúncia, os pagamentos eram regulares e, em alguns casos,
representavam repasses mensais aos envolvidos.
Vídeos
gravados pelo delator e divulgados pela imprensa mostraram Arruda
recebendo maços de dinheiro do próprio Durval. A “videoteca” incluía
cenas semelhantes com os deputados distritais Eurides Brito, Júnior
Brunelli (o responsável pela chamada oração da propina) e Leonardo
Prudente - esse, famoso por ter escondido o dinheiro nas meias. As
denúncias de corrupção também atingiram a maior parte dos 24 deputados
distritais, o vice-governador, o procurador-geral de Justiça, Leonardo
Bandarra, e o conselheiro Domingos Lamoglia, do Tribunal de Contas do
Distrito Federal.
Arruda
insistiu em se manter no cargo até que, em fevereiro, foi preso depois
de comandar uma operação para tentar subornar o jornalista Edson Sombra,
braço-direito de Durval Barbosa. Com o governador, foi detido o
deputado distrital Geraldo Naves (à época, no DEM).
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