Cartas de Berlim: Olha a Kombi que eu achei!
Estava
eu voltando de um passeio de bicicleta de coração sobressaltado, pois
quase mato um esquilo atropelado, quando me deparo com a Kombi mais
bonita que já vi na vida.Aí você diz “pô, Kombi? O que tem de mais em uma Kombi?”
Amigo, Kombi é das últimas bolachas do pacote para os amantes das raridades automobilísticas. Além do mais, os alemães adoram restaurar coisas. Um objeto só vai para o lixo quando está realmente em estado de putrefação. E uma paixão dos alemães é, claro, a restauração de automóveis antigos.
Sem falar que é Volkswagen e alemão que se preze tem no coração amor ferrenho por três bens de consumo: uma casa, um jardim e um modelo Volks.
Oh céus, quantas vezes já não ouvi alemães maldizendo carros de outras marcas. Fiat? Nem morto! Chevrolet? Pior ainda! Só por baixo do cadáver deles! Se tem uma ocasião onde é permitido ser nacionalista - um tabu na Alemanha -, é quando eles idolatram a Volkswagen.
Mas voltando às Kombis! Além de serem relíquia, estão na crista da onda retrô. Este modelo que eu fotografei assim, assim com o meu celular (já comprei outro, viu?) foi totalmente restaurado e parecia que havia sido pintado há bem pouco tempo. Com certeza o dono é um entusiasta, pois se tratava do modelo mais antigo, o “T1” (produzido entre 1950 e 1967).
Foto: Tamine Maklouf
O advento da Kombi foi legendário: era o primeiro veículo multi-uso doméstico. Como o país vivia aquele clima pós-guerra de Wiederaufbau (reconstrução), foi o empurrão que precisava para todo mundo correr pro abraço e mergulhar no trabalho.
As Kombis são conhecidas aqui como “Bulli”, que é a combinação de duas palavras: “Bus” e “Lieferwagen” (carro modelo utilitário). Elas se tornaram muito popular nos anos 60, ao ponto de em 1962 já terem sido vendidas 1 milhão de Bullis. Ps: não esqueçamos que estamos no Oeste.
Aos poucos, a Bulli foi virando sonho cult de consumo, transformando-se em carro ícone dos hippies, afinal, eles não eram bobos nem nada e precisavam de uma van para poder entulhar seus comparsas e mochilar pelo mundo.
Devido a toda essa história, e também pelo fato de ser cada vez mais raro deparar-se com uma Bulli por aí, fiquei toda orgulhosa mostrando meu achado fotográfico para todo mundo e acrescentando que no Brasil ainda tem muita Kombi dando sopa por aí!
Tamine Maklouf é jornalista e ilustradora nas horas vagas. Mora na Alemanha desde agosto de 2009, onde se encontra na “ponte terrestre” Dresden-Berlim. De lá, mantém o blog www.diekarambolage.wordpress.com
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