Gurgel ainda examina se vai pedir que Toffoli não julgue o mensalão
Por Carolina Brígido e Mariana Timóteo, no Globo:
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que está examinando se vai pedir o impedimento ou a suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para participar do julgamento do mensalão. Ele afirmou que, se for o caso, fará isso no julgamento, marcado para começar em 1º de agosto. Antes, Gurgel vai esperar um pronunciamento de Toffoli sobre o assunto. “Isso será examinado em um momento oportuno. Temos que aguardar a afirmação do ministro”, disse.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que está examinando se vai pedir o impedimento ou a suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para participar do julgamento do mensalão. Ele afirmou que, se for o caso, fará isso no julgamento, marcado para começar em 1º de agosto. Antes, Gurgel vai esperar um pronunciamento de Toffoli sobre o assunto. “Isso será examinado em um momento oportuno. Temos que aguardar a afirmação do ministro”, disse.
Gurgel
afirmou que ainda não tem convicção formada sobre a conveniência da
participação de Toffoli no caso. O ministro, por sua vez, não está com
pressa. Perguntado sobre o que vai fazer, respondeu: “Ainda tenho as
férias pra pensar.”
Nesta
quinta-feira, O GLOBO informou que setores do Ministério Público querem
uma providência de Gurgel. Antes disso, perguntado sobre o assunto, o
procurador-geral dizia que a decisão caberia só a Toffoli.
Segundo o
Código de Processo Civil, um juiz deve se declarar suspeito para atuar
em um caso se for amigo de uma das partes. Toffoli foi chefiado por um
dos réus no processo do mensalão, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu,
de 2003 a 2005. Além disso, Toffoli frequentava a casa de Dirceu.
A namorada
de Toffoli, Roberta Rangel, foi advogada de um dos réus, o ex-deputado
Professor Luizinho (PT-SP), para quem fez inclusive sustentação oral no
plenário do STF em agosto de 2007, quando os ministros transformaram o
inquérito em ação penal.
Outra
polêmica no caso surgiu com as recentes declarações do ex-ministro da
Justiça do governo Lula, o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos,
que hoje defende o ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado, um
dos 38 réus do mensalão. Quando falava sobre corrupção e reforma
política no programa “Ponto a ponto”, da TV Bandeirantes, no último dia
9, ele disse que o país chegaria “ao ponto em que a democracia, pela
sua prática”, iria “resolver a questão” do mensalão.
“Lembremos
que, no início do século passado, na Câmara dos Comuns do Reino Unido,
havia um guichê onde os parlamentares recebiam o dinheiro, uma espécie
de mensalão entre aspas da época”, afirmou Bastos, em seguida
salientando que isso não havia impedido que a Inglaterra se tornasse um
“país altamente democratizado”.
Essas
declarações “passaram despercebidas, admitindo claramente a existência
do mensalão”, opinou Merval Pereira em sua coluna de quinta-feira no
GLOBO. Procurado pelo jornal, Bastos não deu declarações. A opinião
entre especialistas consultados, porém, é consensual: o advogado foi
infeliz em sua fala.
“Um ato
falho. Ele era ministro na época em que o escândalo estourou e atuou
como gerenciador daquela e de outras crises envolvendo o PT. O partido
sempre lutou em negar o mensalão. Bastos acabou, assim, admitindo sua
existência”, disse o cientista político Rubens Figueiredo, da USP.
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