Candidatos a ditadores são os mais exaltados contra o que chamam “golpe” no Paraguai
Por Flávio Freire, Maria Lima e Eliane Oliveira, no Globo:
O primeiro foi o presidente do Equador, Rafael Correa, que anunciou nesta sexta-feira que seu país não reconhece o novo governo do Paraguai. Logo vieram a líder argentina Cristina Kirchner e o boliviano Evo Morales. Mais cedo, evitando o tom de ameaça, a presidente Dilma já citava possibilidades de sanção como a expulsão do Paraguai de órgãos multilaterais como a Unasul, presidida por Lugo, e também do Mercosul. Em um processo que durou dois dias, Lugo foi considerado culpado de não cumprir suas funções ao deixar que crescesse um conflito social no Paraguai. Poucos minutos após a destituição, o então vice-presidente Federico Franco jurou como novo chefe de Estado.
O primeiro foi o presidente do Equador, Rafael Correa, que anunciou nesta sexta-feira que seu país não reconhece o novo governo do Paraguai. Logo vieram a líder argentina Cristina Kirchner e o boliviano Evo Morales. Mais cedo, evitando o tom de ameaça, a presidente Dilma já citava possibilidades de sanção como a expulsão do Paraguai de órgãos multilaterais como a Unasul, presidida por Lugo, e também do Mercosul. Em um processo que durou dois dias, Lugo foi considerado culpado de não cumprir suas funções ao deixar que crescesse um conflito social no Paraguai. Poucos minutos após a destituição, o então vice-presidente Federico Franco jurou como novo chefe de Estado.
Logo após
tomar posso, o novo presidente do Paraguai, Federico Franco, pediu aos
líderes dos países vizinhos, em especial a Argentina, Brasil e Uruguai,
membros do Mercosul, que entendam a situação no país e que “fará o maior
dos esforços para que isso se normalize”.
Dentre os
líderes da América do Sul, o equatoriano Rafael Correa foi o mais
enfático. Dilma, por sua vez, evitou falar especificamente do caso ou
dizer se a reunião do Mercosul marcada para os dias 28 e 29, em Mendoza,
na Argentina, já poderia analisar a expulsão do Paraguai. Mas deixou
claro que alguma sanção pode ser tomada. ” Os 12 países signatários aqui
reunidos avaliamos que a situação no Paraguai era muito complicada.
Achamos que devíamos cuidar para que houvesse respeito aos princípios do
direito de defesa e manutenção da ordem democrática. Por isso mandamos
os chanceleres.”
Dilma evitou
responder se o rito sumário do impeachment de Lugo poderia ser
interpretado como golpe de Estado, mas disse que, para o Brasil, que já
passou por um processo doloroso de golpe e retomada democrática, o valor
da democracia é muito importante. O ministro de Relações Exteriores da
Venezuela, Nicolás Maduro, destacou que a falta de vontade política dos
setores contrários a Lugo configura desrespeito não só às normas da
organização, como ao Mercosul. “Infelizmente, as respostas que tivemos
foram silêncio e indiferença”, criticou.
Em
entrevista a emissora do Equador, o presidente Rafael Correa disse
considerar ilegítimo o processo de julgamento político feito pelo
Congresso paraguaio, que resultou no impeachment de Fernando Lugo. “A
decisão do governo equatoriano é de não reconhecer o novo governo
paraguaio. O que aconteceu é absolutamente ilegítimo”, disse Correa a
uma emissora.
No mesmo
tom, a presidente argentina Cristina Kirchner assegurou que o país “não
vai aceitar o golpe de Estado que acaba de acontecer no Paraguai. ” Essa
situação vai além de Lugo, este é um ataque à democracia paraguaia.
Vamos ter uma ação conjunta com Brasil e Uruguai.”
Para o líder
boliviano, Evo Morales, o país “não pode reconhecer um governo que não
surja das urnas e do mandato do povo”. Morales condenou o “golpe do
Congresso” aplicado contra Fernando Lugo, segundo a agência oficial ABI.
Brasil evita tom de ameaça
Evitando o tom de ameaça mais cedo, a presidente Dilma já citava possibilidades de sanção como a expulsão do Paraguai de órgãos multilaterais como a Unasul e o Mercosul. O governo brasileiro teme um confronto ou uma guerra civil com a aprovação do impeachment a nove meses do fim do mandato de Lugo. Dilma afirmou que o protocolo de criação da Unasul, assinado pelo Paraguai e pelos outros 11 países da América do Sul, prevê o desligamento do signatário deste organismo se for constatada ação de ruptura ou ameaça de ruptura democrática. O mesmo se aplica ao Mercosul.
Evitando o tom de ameaça mais cedo, a presidente Dilma já citava possibilidades de sanção como a expulsão do Paraguai de órgãos multilaterais como a Unasul e o Mercosul. O governo brasileiro teme um confronto ou uma guerra civil com a aprovação do impeachment a nove meses do fim do mandato de Lugo. Dilma afirmou que o protocolo de criação da Unasul, assinado pelo Paraguai e pelos outros 11 países da América do Sul, prevê o desligamento do signatário deste organismo se for constatada ação de ruptura ou ameaça de ruptura democrática. O mesmo se aplica ao Mercosul.
Ao ser
informado de que as tentativas de ajuda da Unasul foram rejeitadas pelo
Senado, o ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto
Carvalho, se mostrou apreensivo. “Estão optando pela dureza. Podem estar
caminhando para uma guerra civil”, disse.
Segundo um
interlocutor da presidente Dilma, o impeachment de Lugo pode representar
a ruptura de um ciclo democrático na América Latina. O governo
brasileiro acredita que somente o clamor popular poderá salvar o agora
ex-presidente. Havendo a constatação de que houve ruptura dos princípios
democráticos no Paraguai, um dos caminhos é a evocação da cláusula
democrática do Protocolo de Ushuaia, cujo efeito é o isolamento do país
na região.
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