Destituição de Lugo é constitucional e democrática; diplomacia brasileira, mais uma vez, dá vexame
Posso começar este novo artigo sobre a crise do Paraguai com o Artigo 225 da Constituição do país, que trata justamente do impedimento do presidente por mau desempenho? Vamos a ele:
El
Presidente de la República, el Vicepresidente, los ministros del Poder
Ejecutivo, los ministros de la Corte Suprema de Justicia, el Fiscal
General del Estado, el Defensor del Pueblo, el Contralor General de la
República, el Subcontralor y los integrantes del Tribunal Superior de
Justicia Electoral, sólo podrán ser sometidos a juicio político por mal
desempeño de sus funciones, por delitos cometidos en el ejercicio de sus
cargos o por delitos comunes.
La acusación será formulada por la Cámara de Diputados, por mayoría de dos tercios. Corresponderá a la Cámara de Senadores, por mayoría absoluta de dos tercios, juzgar en juicio público a los acusados por la Cámara de Diputados y, en caso, declararlos culpables, al sólo efecto de separarlos de sus cargos, En los casos de supuesta comisión de delitos, se pasarán los antecedentes a la justicia ordinaria.
La acusación será formulada por la Cámara de Diputados, por mayoría de dos tercios. Corresponderá a la Cámara de Senadores, por mayoría absoluta de dos tercios, juzgar en juicio público a los acusados por la Cámara de Diputados y, en caso, declararlos culpables, al sólo efecto de separarlos de sus cargos, En los casos de supuesta comisión de delitos, se pasarán los antecedentes a la justicia ordinaria.
O resultado,
como sabem, foi bem superior a dois terços. Na Câmara, a denúncia foi
acolhida por 73 votos a 1; no Senado, sua deposição foi decidida por 39
votos a 4. Isso é sinal de que o presidente, com o seu governo sem eixo,
em franca colaboração com forças criminosas, havia perdido apoio
parlamentar. Foi destituído de acordo com a Constituição democrática do
país. Se não apelar para o vale-tudo, transfere o poder para seu vice,
Federico Franco, e pronto. Em abril de 2013, estão previstas as eleições
gerais.
Não adiantou
a pressão da Unasul, com destaque para o papel equivocado de sempre da
diplomacia brasileira, que tentou intimidar o Parlamento paraguaio.
Escrevi hoje um post sobre um entendimento muito particular que as
esquerdas latino-americanas passarama ter do seja “golpe”. Se o sistema
não lhes dá licença para transgredir as leis, então elas gritam:
“golpe!” Uma ova!
No
Paraguai, triunfou a lei. É tão evidente a vinculação de Fernando Lugo
com os ditos sem-terra, convertidos em força terrorista, que os dias a
mais para a defesa não fariam diferença no mérito. No máximo,
esticariam o tempo do impasse e dariam tempo para a articulação das
tentações, estas sim, antidemocráticas que buscariam manter Lugo no
poder na base do grito.
O melhor que
este ex-bispo fazedor de filhos tem a fazer é cair fora sem
resistência. O sistema democrático pode sobreviver sem ele. E que o novo
presidente tenha coragem e força para apurar as circunstâncias do
confronto que resultou na morte de 17 pessoas. O resultado da votação na
Câmara e no Senado é muito expressivo. Os parlamentares não se deixaram
intimidar pela pressão de governos do subcontinente ideologicamente
alinhados com Lugo. Eles deveria ter-se lembrado — espero que o
Itamaraty tenha feito a devida advertência a Dilma — que o Venezuela
ainda não faz parte do Mercosul justamente porque o Senado paraguaio se
nega a aceitar a companhia do Beiçola de Caracas.
Governos
latino-americanos tentaram criar uma nova “Honduras”. Lembram-se da
novela sobre a deposição do chapeludo Manuel Zelaya e da confusão armada
por Celso Amorim? Pois é… Também naquele caso, um presidente eleito
tentou atropelar a Constituição que o elegeu. E mereceu a devida
resposta do Parlamento. Parlamento, reitero, que também representa a
vontade do povo.
Cumpre aos
governos latino-americanos — ao do Brasil, em especial, em razão de sua
natural liderança — apoiar o novo governo do Paraguai, que se constitui
segundo as leis. E a diplomacia brasileira recebe mais uma lição depois
de um novo vexame: é preciso pensar um pouco antes de sair atirando.
Ficamos sabendo que Dilma considerava “golpe” a ação legal contra Lugo. E
agora?
Um governo
que não sabe distinguir legalismo de golpismo chama de golpe o que é
legal e acaba sendo obrigado a declarar legal o que acha ser golpe.
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