Brasil convoca embaixador em Assunção, condena “rito sumário” do impeachment no Paraguai e avalia permanência do país no Mercosul
Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
O Ministério de Relações Exteriores informou na noite deste sábado que chamou de volta a Brasília o embaixador brasileiro em Assunção, Eduardo dos Santos, para “esclarecimentos” sobre o que classificou como “rito sumário” de impeachment do presidente paraguaio, Fernando Lugo.
O Ministério de Relações Exteriores informou na noite deste sábado que chamou de volta a Brasília o embaixador brasileiro em Assunção, Eduardo dos Santos, para “esclarecimentos” sobre o que classificou como “rito sumário” de impeachment do presidente paraguaio, Fernando Lugo.
Também na
noite deste sábado o governo de Cristina Kirchner havia anunciado a
saída do embaixador argentino na capital paraguaia, Rafael Edgardo
Roma, por conta dos “graves acontecimentos institucionais e a ruptura
da ordem democrática.” A retirada dos embaixadores do Brasil e da
Argentina é um sinal diplomático de que os países acompanham com
apreensão e alguma dúvida o desenrolar da situação política do Paraguai.
Em nota, o
Itamaraty condenou publicamente a falta do direito à ampla defesa e
contraditório na retirada de Fernando Lugo do poder. “O governo
brasileiro condena o rito sumário de destituição do mandatário do
Paraguai, decidido em 22 de junho último, em que não foi adequadamente
assegurado o amplo direito de defesa”, disse o Ministério de Relações
Exteriores. Ainda assim, o governo brasileiro disse ainda avaliar a
eventual saída do Paraguai de blocos econômicos do cone sul, como o
Mercosul e a Unasul (União Sul-Americana de Nações).
“O Brasil
considera que o procedimento adotado compromete pilar fundamental da
democracia, condição essencial para a integração regional”, disse o
governo brasileiro.
Os
chanceleres e representantes da União Sul-Americana de Nações (Unasul),
grupo formado por Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile,
Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela, além do próprio
Paraguai, analisam como o governo paraguaio poderá se manter nos blocos
de cooperação regional sul-americanos. Após a confirmação do
impeachment do presidente Fernando Lugo, os países sul-americanos
deverão avaliar a possível adoção de medidas como o fechamento de
fronteiras ao país, a adoção de sanções econômicas e até um recurso à
Organização dos Estados Americanos (OEA).
Em todos os
casos, a iniciativa dos países contra a destituição do Lugo do poder
terá de ser tomada por consenso. Uma mediação política prévia pode
evitar que se chegue ao extremo de punir o Paraguai, embora cláusulas
da OEA, da Unasul e do Mercosul estabeleçam a adoção de medidas caso um
dos estados-membros sofra atentados à democracia.
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