Crise derruba arrecadação e ameaça contas do governo
Por Gustavo Patu, na Folha:
Com a economia do país perto da estagnação há quase um ano, sinais mais evidentes de perda de fôlego na arrecadação de impostos derrubaram as contas do governo federal no mês passado. Dados que serão divulgados oficialmente nos próximos dias mostram queda na receita de tributos ligados aos lucros das empresas, à produção do setor industrial e às operações bancárias. No total, a arrecadação se mantém em alta, mas em ritmo abaixo das expectativas iniciais da equipe da presidente Dilma Rousseff.
Com a economia do país perto da estagnação há quase um ano, sinais mais evidentes de perda de fôlego na arrecadação de impostos derrubaram as contas do governo federal no mês passado. Dados que serão divulgados oficialmente nos próximos dias mostram queda na receita de tributos ligados aos lucros das empresas, à produção do setor industrial e às operações bancárias. No total, a arrecadação se mantém em alta, mas em ritmo abaixo das expectativas iniciais da equipe da presidente Dilma Rousseff.
A presidente
contava com recordes capazes de sustentar, além da poupança prometida
para o abatimento da dívida pública, ampliação dos programas sociais e
dos investimentos na área de infraestrutura. Principal tributo federal, o
Imposto de Renda teve a primeira queda de receita do ano, na
comparação com período equivalente de 2011 e considerada a inflação.
Segundo os números preliminares pesquisados pela Folha,
a piora foi puxada pelo Imposto de Renda das pessoas jurídicas. Não por
acaso, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido também teve perda
expressiva, na casa dos 9% -semelhante à do IOF (Imposto sobre
Operações Financeiras), cujas alíquotas foram reduzidas recentemente
para estimular o crédito.
O IPI
(Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente sobre automóveis
teve queda mais forte, de 24%, em razão da queda das vendas e,
possivelmente, da redução de alíquotas promovida na segunda quinzena do
mês para aquecer o setor. Mesmo ajudada pelo desempenho de tributos
vinculados à folha de salários e às importações, a arrecadação não
apresenta mais as taxas de crescimento de dois dígitos que apresentava
até o início deste ano.
Já havia
desaceleração em abril, mas, naquele mês, as declarações anuais do IR
das pessoas físicas permitiram um elevado superavit primário -a
diferença entre as receitas e as despesas com pessoal, custeio,
programas sociais e investimentos. Em maio, os dados em análise no
Tesouro Nacional apontam para um superavit fraco, inferior aos R$ 4,4
bilhões do mesmo período do ano passado. Salvo algum ajuste contábil da
área técnica, será o terceiro mês consecutivo de queda do saldo.
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