Os petistas querem usar uma quadrilha, a de Cachoeira, para inocentar outra: a dos petistas mensaleiros
A
maioria de vocês certamente já sabe, e uma boa parcela já deve ter lido
a reportagem, mas faço o post mesmo assim, ainda que com certo atraso —
como sabem, não trabalhei no fim semana. A reportagem de capa da VEJA
desta semana demonstra como velhos autoritários do PT pretendem usar o
esquema montado pela quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que pega
em cheio figurões do PT, para melar o mensalão. O comandante da
operação — que prevê o enxovalho do Poder Judiciário — é Luiz Inácio
Lula da Silva e envolve tanto figurões do partido como “figurinhas”
vivendo o seu momento de estrelato. É o caso do presidente da Câmara,
Marco Maia (PT-RS), que resolveu dar curso à farsa. Leiam trecho da
reportagem de oito páginas de Daniel Pereira e Hugo Marques.
(…)
Lula e os falcões petistas viram também abrir-se para eles a retomada de um antigo, acalentado e nunca abandonado projeto de emascular a imprensa independente no Brasil. Os projetos de censura da imprensa que tramitaram no PT foram derrotados não por falta de vontade, mas porque o obscurantismo cobriria a imagem do Brasil de vergonha no cenário mundial. Surge agora uma oportunidade tão eficiente quanto a censura, com a vantagem de se obter a servidão acrílica da imprensa sem recorrer a nenhum mecanismo legal que possa vir a ser identificado com a supressão da liberdade de expressão. Não por coincidência, na semana passada a Executiva Nacional do PT divulgou uma resolução pedindo a regulamentação dos meios de comunicação diante “da associação de parte da imprensa com a organização criminosa da dupla Cachoeira-Demóstenes”. Dando sequência à diretriz do comitê central do partido, o comissário Marco Maia, presidente da Câmara, complementou: “Todas as informações dão conta de que há uma participação significativa de alguns veículos de comunicação nesse esquema montado pelo Cachoeira. A boa imprensa, que está comprometida com a informação e a verdade, vai auxiliar para que a gente possa fazer uma purificação, separar o joio do trigo”.
Lula e os falcões petistas viram também abrir-se para eles a retomada de um antigo, acalentado e nunca abandonado projeto de emascular a imprensa independente no Brasil. Os projetos de censura da imprensa que tramitaram no PT foram derrotados não por falta de vontade, mas porque o obscurantismo cobriria a imagem do Brasil de vergonha no cenário mundial. Surge agora uma oportunidade tão eficiente quanto a censura, com a vantagem de se obter a servidão acrílica da imprensa sem recorrer a nenhum mecanismo legal que possa vir a ser identificado com a supressão da liberdade de expressão. Não por coincidência, na semana passada a Executiva Nacional do PT divulgou uma resolução pedindo a regulamentação dos meios de comunicação diante “da associação de parte da imprensa com a organização criminosa da dupla Cachoeira-Demóstenes”. Dando sequência à diretriz do comitê central do partido, o comissário Marco Maia, presidente da Câmara, complementou: “Todas as informações dão conta de que há uma participação significativa de alguns veículos de comunicação nesse esquema montado pelo Cachoeira. A boa imprensa, que está comprometida com a informação e a verdade, vai auxiliar para que a gente possa fazer uma purificação, separar o joio do trigo”.
A
oportunidade liberticida que apareceu agora no horizonte político é
tentar igualar repórteres que tiveram Carlos Cachoeira como fonte de
informações relevantes e verdadeiras com políticos e outras autoridades
que formaram com o contraventor associações destinadas a fraudar o
Erário. A nota da Executiva Nacional do PT e a fala do comissário Maia
traem o vezo totalitário daquela parte do PT que não tem a mínima noção
do papel de uma imprensa livre em uma sociedade aberta, democrática e
que tenha como base material a economia de mercado. Papai Stalin ficaria
orgulhoso dos pupilos. Caberá a eles agora, aos “tropicastalinistas” do
PT, auxiliados pelos impolutos José Sarney e Fernando Collor,
“purificar” a imprensa, decidir qual é a boa e a ruim, o que é joio e o
que é trigo nas páginas dos órgãos de informação e apontar que
repórteres estão comprometidos com a informação e a verdade. Alguém com
mais juízo deveria, a bem do comissário Maia, informá-lo de que quando
governos se arvoram a “purificar” seja o que for - a população, a
imprensa ou a literatura - estão abrindo caminho para o totalitarismo.
Quem diria, comissário, que atrás de óculos modernosos se esconde uma
mente tão arcaica.
Os petistas
acham que atacar o mensageiro vai diminuir o impacto da mensagem. Pelo
que disse Marco Maia, eles vão tentar mostrar que obter informações
relevantes, verdadeiras e de interesse nacional lança suspeita sobre um
jornalista. Maia não poderia estar mais equivocado. Qualquer repórter
iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas
informações. As chances de um repórter obter informações verdadeiras
sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do
que com quem nunca esteve envolvido. A ética do jornalista não pode
variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Isso é
básico. Disso sabem os promotores que, valendo-se do mecanismo da
delação premiada, obtêm informações valiosas de um criminoso,
oferecendo-lhe em troca recompensas como o abrandamento da pena. Esses
são conceitos de difícil digestão para os petistas acostumados a receber
do comitê central as instruções completas sobre o que devem achar certo
ou errado, bom ou ruim, baixo ou alto. Fora da bolha ideológica, porém,
a vida exige que bons jornalistas falem com maus cidadãos em busca de
informações verdadeiras. Motivo mesmo para uma CPI seria investigar os
milionários repasses de dinheiro público que o governo e suas estatais
fazem a notórios achacadores, chantagistas e manipuladores profissionais
na internet. Fica a sugestão.
Leia a íntegra da reportagem na revista
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