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terça-feira, 17 de abril de 2012



Hillary e o combate à corrupção no Brasil: um óbvio exagero. Ou: Os antiamericanos petralhas em estado de graça com o elogio da… americana!

A petezada está fazendo a maior festa e coisa e tal. Os de sempre já vieram com suas patinhas nervosas: “E agora? O que você diz?” Tudo por causa de uma declaração de Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA. Leiam trecho de reportagem do Estadão. Volto em seguida.
A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira que a presidente Dilma Rousseff está estabelecendo um “padrão mundial” na questão de transparência e luta contra a corrupção. O comentário foi durante a abertura da Primeira Conferência Anual de Alto Nível da Parceria Para Governo Aberto, que está sendo realizado em Brasília.
A Open Government Partnership (OGP), ou Parceria do Governo Aberto, foi lançada em setembro passado nos Estados Unidos como um esforço conjunto na luta contra a corrupção e na promoção de transparência na gestão pública. O Brasil e os Estados Unidos lideram a iniciativa.
“Não há um parceiro melhor para iniciar esse esforço do que o Brasil e, particularmente, a presidente (Dilma) Rousseff. O compromisso dela com abertura, transparência, sua luta contra a corrupção está estabelecendo um padrão mundial”, disse Hillary.
(…)
Comento
EUA e Brasil lideram a tal iniciativa, então o elogio constitui, antes de mais nada, parte do decoro. Fossem levadas a sério as palavras, é evidente que se trata de um óbvio exagero. Aliás, trata-se de um escandaloso exagero. Dilma demitiu, é verdade, seis ministros por suspeita de corrupção. Seguiu a trilha de apurações feitas pela imprensa. Agiu bem ao demitir, sim, mas o fez premida pelas circunstâncias. E colheu dividendos com isso. A população, é evidente, não gosta de corruptos.
“Padrão mundial de combate à corrupção”? Não quando o TCU constata que boa parte das obras do PAC está superfaturada. Culpa pessoal de Dilma? Nunca o governante é pessoalmente culpado, não é mesmo? É sempre o “sistema”. Mas o que seu governo fez para aprimorar, então, “o sistema”? Tome-se o exemplo das obras da Copa do Mundo. Aprovou-se uma lei só para regulá-las. A despeito de muita conversa mole, diminuiu o poder que a sociedade tinha de vigiar os gastos.
Não há padrão mundial de combate à corrupção num governo que tem quase 25 mil funcionários exercendo cargos de confiança na administração federal. Com 100 milhões de habitantes a mais do que o Brasil, os EUA de Hillary contam com 9 mil — e olhem que já é bastante para as democracias avançadas. Na Gra-Bretanha, são 300!!!
Que padrão mundial é esse que loteia áreas da administração com partidos políticos, que usam cargos da administração direta, indireta, de estatais e de autarquias para fazer caixa de campanha? Dilma inventou esse modelo? Não! Ela apenas dá sequência. E daí? Pode não ser a sua promotora, mas, eleita por esse esquema, é sua beneficiária. E certamente não serve de referência.
Mas entendo que os antiamericanos petralhas fiquem tão satisfeitos com o elogio feito pela secretária de estado… americana.
Por Reinaldo Azevedo

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