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domingo, 1 de abril de 2012


Da série “Dilma é ruim de serviço 1″ - Saneamento: apenas 7% de 114 obras no PAC estão prontas

Luiz Inácio Lula da Silva é o autor de duas grandes farsas: recebeu um país devastado, em que tudo estaria por ser feito — a tal “herança maldita” —, e lhe teria cabido, então, a tarefa de criar tudo do zero. Essas farsas colaram, como é óbvio. Um dia pagaremos o preço das mistificações. Quando? Não tenho a menor ideia. Não se vislumbra a construção de uma alternativa de poder. Muito pelo contrário. Depois de o PT ter privatizado o estado brasileiro, assistimos agora ao avanço sobre as instituições. E sob o silêncio cúmplice, quando não sob o estímulo mesmo, de boa parte da imprensa. Até que chegue a sua vez… Mas isso fica para outro texto.
A verdade insofismável, quando se vai para os números, é que a gestão petista é incompetente, ruim de serviço. “Mas a população reelegeu Lula e elegeu Dilma!” E daí? Isso não torna as três gestões petistas mais operosas. O critério “eficiência” é apenas um dos muitos que pesam numa disputa eleitoral. Há muitos outros.
Reportagem publicada pelo Globo demonstra, por exemplo, o que acontece no país com a área de saneamento. Trata-se de um absoluto desastre! A gestão petista é refém, por exemplo, da pauta de ONGs estrangeiras quando se discute o Código Florestal, mas é absolutamente omissa com uma área fundamental para a preservação do meio ambiente: saneamento básico. Boa parte do orçamento do Ministério da Saúde é consumido remediando os males decorrentes da falta do tratamento de esgoto.
Leiam o que informa Alessandra Duarte e Carolina Benevides. Volto depois.
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não tem feito jus ao nome quando o assunto é saneamento. Estudo inédito do Instituto Trata Brasil mostra que apenas 7%, ou oito das 114 obras voltadas às redes de coleta e sistemas de tratamento de esgotos em municípios com mais de 500 mil habitantes, estavam concluídas em dezembro de 2011. O levantamento aponta ainda que 60% estão paralisadas, atrasadas ou não foram iniciadas. Os dados foram fornecidos por Ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal, Siafi (Sistema Integrado de Informação Financeira do governo federal) e BNDES. As 114 obras totalizam R$ 4,4 bilhões
“O país avança devagar. Cinco anos é um prazo razoável, mas o PAC 1 foi lançado em 2007 e não temos 10% das obras concluídas em 2011. Houve deficiência grande na qualidade dos projetos enviados ao governo federal e muitos tiveram que ser refeitos. O problema teria sido menor se, antes de enviar os projetos, as prefeituras, companhias de saneamento e estados tivessem sido qualificados”, diz Édison Carlos, presidente do Trata Brasil. “O estudo mostrou que 21% das obras podem estar concluídas até dezembro deste ano. Mas, para isso, nenhuma pode ter atrasos ou parar, e não tem sido assim com o PAC”.
(…)
No Norte, 100% das obras paralisadas
Por e-mail, o Ministério das Cidades reconhece que “os principais entraves estão na baixa qualificação dos projetos técnicos e na própria capacidade de gestão dos órgãos executores”. Diz ainda que 14% das 114 obras já tiveram seus “contratos concluídos”. A maioria dessas obras do PAC passa pelas concessionárias e empresas estaduais: segundo a Aesbe, dos 5.565 municípios, cerca de quatro mil têm o saneamento gerido por essas empresas. E, na avaliação de Suriani, o ritmo de execução das obras só começa a se normalizar em pelo menos cinco anos.
Segundo o Trata Brasil, o Norte tem 100% das obras do PAC paralisadas, seguido por Centro-Oeste (70%) e Nordeste (34%). O Nordeste tem ainda o maior percentual de obras atrasadas: 49%. Quando somadas as paralisadas, atrasadas e não iniciadas, a pior situação é a do Centro-Oeste, com 90% das obras nessas categorias. Em seguida, aparece o Nordeste, com 88%. Já o Sudeste, região que mais avançou entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011, tem apenas 13% das obras concluídas.
Para a manicure Patricia Vieira, o atraso é mais do que uma porção de números. Moradora do Centro de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, ela vive numa casa onde o banheiro não tem descarga e o esgoto vai in natura para o valão, que um dia foi um rio. “Preferia o banheiro funcionando. Tem também o problema da chuva. Com 15 minutos, o valão transborda e invade as casas. Já perdi todos os móveis, e tenho que conviver com ratos, lacraias e mosquitos”, conta Patricia, que cumpre um ritual toda vez que sai. “Coloco peso no vaso sanitário e nos ralos e deixo a chave com o vizinho, que corre aqui se chover”.
(…)
O atraso no PAC ganha contornos piores quando confrontado com o Atlas de Saneamento 2011, do IBGE. Em 2008, 55,1% dos municípios tinham coleta de esgoto - avanço de 2,9% se comparado com 2000. O menor índice estava no Norte: 13,3%. Já o Sudeste tinha 95,1%. “São dois países. Para mudar, não bastam dinheiro e obras. Precisa melhorar a gestão”, diz Cassilda de Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. “Se mantivermos o ritmo dos últimos três anos, vamos levar mais 50 para universalizar o saneamento”.
Voltei
Você viram que o texto trata de uma área de Duque de Caxias chamada “Valão”. Pois bem: no debate da Globo, uma moradora desse região fez uma pergunta à então candidata Dilma: justamente sobre saneamento. E ela enrolou com algumas promessas sobre o combate à enchentes… E, claro!, atacou indiretamente o governo FHC. Vejam. O  filme está bem ruim. Encerro depois.
Os números falam por si.
Por Reinaldo Azevedo

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