A CPI E OS MEDOS DE CADA UM - No mundo do crime, não importa a origem dos ratos, o importante é que eles se organizem para comer os gatos
O
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso esteve na Câmara dos Deputados
nesta terça para participar da cerimônia de lançamento do documentário
“A Construção de Fernando Henrique”, do diretor Roberto Stefanelli. E
falou sobre a CPI, segundo informa o Portal G1: “Eu acho que o Brasil
precisa passar a limpo as questões com serenidade. Nós cansamos de ver o
grau de corrupção existente que, infelizmente, atinge a quase todos os
partidos. Acho que o Brasil cansou, então, talvez, seja o momento de o
Congresso crescer, fazermos uma CPI que vá à raiz da questão. O
Congresso, nesse momento, tem que fazer [a CPI]“.
É isso
mesmo! Só que há um porém nessa história toda. A CPI mista do caso
Cachoeira contará com 30 membros — 15 deputados e 15 senadores. É tal a
desproporção de poder entre governo e oposição que a base aliada
indicará 24 membros, e os oposicionistas, apenas 6. Esse espírito ao
qual apela FHC — o Congresso, como um Poder, empreender uma investigação
republicana — está mais no terreno da fantasia do que no da realidade.
O espírito
que inicialmente moveu a criação da comissão não tem nada a ver com
justiça, investigação, apuração, punição de culpados, nada disso…
Lembrem-se do vídeo gravado por Rui Falcão,
presidente do PT; lembrem-se da operação desencadeada por José Dirceu
no JEG; lembrem-se da interferência direta de Lula na articulação da
comissão. A ideia é usar os 24 para esmagar os 6. A banda podre do PT
quer esconder seus próprios vínculos com o esquema Cachoeira e usar a
comissão como palco para destruir o que resta de oposição. Não por
acaso, Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, já saiu em defesa do
deputado Rubens Otoni (PT-PR), o único parlamentar, até agora, que é
protagonista de um vídeo, junto com Cachoeira, em que se discute caixa
dois de campanha. Parece que o bicheiro é chegado em documentar suas
peripécias. Deve haver outros. Mas o que está na praça, por ora, é este.
E os petistas já estão dizendo que isso não tem a menor importância.
Há um ano,
reportagem de VEJA informava o fantástico crescimento da construtora
Delta, que saltou para o centro do caso Cachoeira. Segundo os
empresários José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado,
que foram sócios de Fernando Cavendish (chefão da Delta) num
empreendimento, José Dirceu foi um dos magos dessa milagrosa evolução.
Pergunta óbvia para resposta que também parece ser tristemente óbvia: os
dois empresários e Dirceu serão convocados para depor?
Operação arriscada
Mesmo com maioria tão esmagadora, no entanto, a Operação Esmagamento imaginada por Lula, Dirceu e banda podre petista não deixa de ser tarefa arriscada. Já deu para perceber que a malha de influências de Carlinhos Cachoeira não obedece a um desenho convencional, não tem uma trama regular. Nunca se sabe que parte do tecido cada um dos fios soltos move. Pegue-se o caso do tal Idalberto Matias Araújo, o notório Dadá.
Mesmo com maioria tão esmagadora, no entanto, a Operação Esmagamento imaginada por Lula, Dirceu e banda podre petista não deixa de ser tarefa arriscada. Já deu para perceber que a malha de influências de Carlinhos Cachoeira não obedece a um desenho convencional, não tem uma trama regular. Nunca se sabe que parte do tecido cada um dos fios soltos move. Pegue-se o caso do tal Idalberto Matias Araújo, o notório Dadá.
Não há tramoia, espionagem ou falcatrua envolvendo o mundo das sombras e da espionagem em que ele não esteja presente: 1) atuava como homem graduado no esquema de Cachoeira, 2) apareceu prestando serviços aos petitas que tentaram montar um dossiê fajuto contra o tucano José Serra em 2010 e 3) colaborou
com as ilegalidades praticadas por Protógenes Queiroz na Operação
Satiagraha. A quantos senhores, afinal de contas, ele prestava serviços?
Vai saber…
O que quero
dizer com isso? O sonho lulo-dirceuzista de passar o trator sobre a
oposição e provar que todos são canalhas para livrar a cara da canalha
mensaleira pode não dar assim tão certo, como já percebeu o Planalto. No
mundo dos Cachoeiras e dos Dadás, as clivagens partidárias ou
ideológicas não têm a menor importância. Para eles, não importa a origem
dos ratos, o importante é que eles se unam para comer os gatos.
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