Minha lista de blogs

terça-feira, 3 de abril de 2012


Cachoeira pagou propina em troca de favor do Incra, diz PF

Por Fernando Mello, Leandro Colon e Felipe Coutinho, na Folha:
Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal revelam que o grupo do empresário Carlos Cachoeira, denunciado por suspeita de comandar um esquema de exploração de jogos ilegais, negociou propina no Incra com o objetivo de regularizar uma fazenda. Segundo relatório da PF da Operação Monte Carlo, datado de novembro passado, “são veementes os indícios da corrupção de servidores públicos em troca das liberações e assinaturas necessárias para regularização da área”.
O relatório menciona valores e diz haver envolvimento do superintendente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no Distrito Federal, Marco Aurélio Bezerra da Rocha, com o grupo de Cachoeira. Segundo a polícia, foram pagos R$ 200 mil de propina para liberação do registro da fazenda, chamada Gama, nos arredores de Brasília, em abril do ano passado.
As gravações indicam que Cachoeira e o empresário Cláudio Abreu, um ex-diretor da Delta Construção e suspeito de integrar a quadrilha, compraram em dezembro de 2010 35% da fazenda -cerca de 4.000 hectares- por R$ 2 milhões. O preço, considerado pela PF como abaixo do cobrado no mercado, é explicado pelo terreno estar em situação irregular, diz a polícia. O objetivo da compra seria obter lucro com a revenda após a regularização -o que, na investigação, não fica claro se de fato ocorreu.
A PF afirma que o dinheiro veio de uma empresa usada pelo grupo de Cachoeira para lavagem de dinheiro.”O valor pago pelo grupo é irrisório acaso a área venha ser registrada e regularizada”, diz a PF, ao relatar o potencial de lucro do negócio. “O motivo de negociar parte da área por valor tão baixo assenta-se no fato de ‘quem’ são as pessoas dos compradores e o que elas podem fazer para viabilizar a regularização da referida fazenda”, completa a PF.
(…)
Por Reinaldo Azevedo

Nenhum comentário:

Postar um comentário