Se algum ministro do Supremo absolver mensaleiros, quem vai acreditar na sua independência? Eis a grande obra de Lula, o intocável!
Alas
do PT e a rede suja do subjornalismo, financiada com dinheiro público,
estão numa campanha frenética — já escrevi a respeito — para
que o ministro Gilmar Mendes, do STF, se declare impedido de julgar o
caso do mensalão. E o que determinaria esse impedimento? O seu suposto
prejulgamento. Trata-se, obviamente, de uma piada. Mendes apontou a
atuação de gângsteres, que ficam plantando mentiras na rede para
desmoralizá-lo e a quantos considerem não ser fiéis ao partido, mas não
entrou, é evidente, no mérito do caso. A pressão é ridícula e dá conta
do modo como opera essa gente.
O PT poderia
ter em mãos uma coleção de evidências demonstrando a má vontade do
ministro com o partido: “Vejam aqui: nas situações X e Y, ele nos
perseguiu; fez questão de nos implicar…”. Ocorre que não tem. Ao
contrário até: em três situações em que figurões do partido poderiam se
enrolar, o ministro deu votos favoráveis a estrelas petistas, como sabem
Antonio Palocci, Luiz Gushiken e Aloizio Mercadante. Discordei nos três
casos e escrevi a respeito, o que desmoraliza outra tolice: a de que
sempre endosso posições defendidas por Mendes. Nos julgamentos de Raposa
Serra do Sol, das cotas raciais e do aborto de anencéfalos, também
estávamos em campos distintos. E isso não me impede de considerá-lo um
dos ministros mais preparados da Corte.
O problema
de boa parte dos petistas e de Lula em particular é que não estão
preparados para a independência de um juiz. O problema de boa parte dos
petistas e de Lula em particular é que não estão preparados para a
independência do jornalismo. E não estão por quê? Porque isso fere a
essência do que são o partido e seu líder. A independência significa a
não adesão ao modelo que eles imaginam ter de transformação do Brasil.
Em larga medida, essa posição lhes é ainda mais incômoda do que a de um
eventual adversário feroz. No seu modelo, ou se é mocinho justiceiro (e,
nesse caso, é preciso estar com eles) ou se é bandido —
e, nesse caso, é preciso estar contra eles. Reparem: a lógica do
mocinho e do bandido justifica as escolhas mais vis. O PT, como todos
sabem, se dedica freneticamente a dois credos: castigar os malfeitos e
praticá-los, de sorte que esse mal praticado, desde que seja pelos
companheiros, busca o bem dos brasileiros. Haver quem se coloque de
forma neutra nesse território e busque a orientação no texto legal lhes
parece inaceitável.
Nem o PT nem
ninguém têm ideia da decisão de Gilmar Mendes. Atenção! Se a previsão
pudesse ser feita com base no retrospecto de votos relacionadas a
estrelas do partido, os que defendem que os mensaleiros vão para a
cadeia — eu por exemplo —
poderiam ficar pessimistas desde já. Ocorre que esse retrospecto também
não tem validade nenhuma. Reitero: Gilmar não é um “caçador de
petistas”. Trata-se apenas de um membro de nossa corte suprema que não
se subordina a tiranetes. E, por isso, Dirceu e Lula não o querem
julgando o mensalão. Como não querem, é bom que se anote aí, Cesar
Peluzo e Ayres Britto. Se a votação ficasse para 2013, os dois estariam
fora do tribunal. Os outros dois também seriam votos certos contra o PT?
Os petistas não sabem, e isso os põe nervosos.
Votar neste ano
As únicas manifestações públicas, absolutamente pertinentes, de Mendes sobre o caso alertavam para a necessidade de julgar o caso ainda neste ano, sob pena de o tribunal se desmoralizar. E ele está certo — ainda que aquela gente possa ser absolvida. Aliás, anotem aí: o risco de que isso aconteça não é pequeno. Ocorre que Lula já andou deixando claro que não basta vencer por um voto. Ele quer uma ampla maioria. Só ela lhe daria o pretexto para dizer: “O mensalão nunca existiu”. E isso quererá dizer, caso logre seu intento, que jamais terão existido Marcos Valério, Delúbio Soares, os saques na boca do caixa, os laranjas…
As únicas manifestações públicas, absolutamente pertinentes, de Mendes sobre o caso alertavam para a necessidade de julgar o caso ainda neste ano, sob pena de o tribunal se desmoralizar. E ele está certo — ainda que aquela gente possa ser absolvida. Aliás, anotem aí: o risco de que isso aconteça não é pequeno. Ocorre que Lula já andou deixando claro que não basta vencer por um voto. Ele quer uma ampla maioria. Só ela lhe daria o pretexto para dizer: “O mensalão nunca existiu”. E isso quererá dizer, caso logre seu intento, que jamais terão existido Marcos Valério, Delúbio Soares, os saques na boca do caixa, os laranjas…
Lula foi com
muita sede ao pote e tomou um porre de si mesmo. Conseguiu, com suas
ações tresloucadas, transformar em suspeitos até mesmo eventuais votos
de ministros dispostos a absolver mensaleiros por razões que considerem
técnicas. Quem vai acreditar? Ao tentar criar um clamor público pela
absolvição de seus rapazes, o ApeDELTA conseguiu pôr sob suspeição
qualquer um que vote a favor da absolvição, ainda que de modo isento.
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