Mais tiro no pé — Marta tinha decidido ir à festa de Haddad antes de ver a entrevista de Lula e do “cara bonita” no Ratinho; agora, petistas já não contam com ela nas ruas e a atacam
A
senadora Marta Suplicy (PT-SP), por bons motivos segundo a ótica de
quem tem a história que ela tem no PT, faltou à festa de lançamento da
candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Escrevi ontem a respeito. Os petistas estão bravos e já não esperam contar com ela nas ruas. Leiam o que informa Bernardo Mello Franco na Folha. Volto em seguida:
Depois do boicote de Marta Suplicy à
festa de lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad a prefeito de
São Paulo, anteontem, o PT revisou seus planos e passou a projetar a
campanha sem a presença da senadora. A intenção do partido era escalar a
ex-prefeita para acompanhá-lo em atos na periferia, onde ela usaria sua
popularidade para mobilizar militantes e tornar o pré-candidato mais
conhecido. Agora, dirigentes da campanha e o próprio Haddad, em
conversas reservadas, já descartam receber a ajuda dela nas ruas e
contam apenas com a hipótese de convencê-la a aparecer na propaganda de
TV, nos últimos 45 dias antes do primeiro turno.
(…)
“Agora vamos tocar o barco sem ela. Não podemos mais parar a campanha à espera de uma ajuda que não vem”, disse o deputado estadual Enio Tatto, integrante da coordenação de Haddad. (…) “O gesto dela foi recebido como um desrespeito ao partido e à militância”, disse o deputado estadual Simão Pedro, que comanda a agenda do pré-candidato. Ontem, um dia depois de se dizer “chateado” com a falta de Marta ao ato de lançamento, o pré-candidato indicou que ela pode ser a mais prejudicada pela atitude. “Foi uma festa muito bonita. Quem não pôde ir, perdeu”, disse.
(…)
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“Agora vamos tocar o barco sem ela. Não podemos mais parar a campanha à espera de uma ajuda que não vem”, disse o deputado estadual Enio Tatto, integrante da coordenação de Haddad. (…) “O gesto dela foi recebido como um desrespeito ao partido e à militância”, disse o deputado estadual Simão Pedro, que comanda a agenda do pré-candidato. Ontem, um dia depois de se dizer “chateado” com a falta de Marta ao ato de lançamento, o pré-candidato indicou que ela pode ser a mais prejudicada pela atitude. “Foi uma festa muito bonita. Quem não pôde ir, perdeu”, disse.
(…)
Voltei
Marta havia prometido comparecer à festa de lançamento de Haddad. Não tinha visto ainda a aparição de Lula e Fernando Haddad no “Programa do Ratinho”. Se foi desrespeitada ao tempo em que foi obrigada a retirar a sua candidatura, depois de ver o Babalorixá de Banânia minar-lhe os apoios, puxando seu tapete de uma forma miserável, a humilhação em cena aberta, para alguns milhares de telespectadores, foi além do suportável. Reproduzo uma vez mais a resposta de Lula quando indagado por Ratinho sobre os motivos de ter escolhido Haddad:
Marta havia prometido comparecer à festa de lançamento de Haddad. Não tinha visto ainda a aparição de Lula e Fernando Haddad no “Programa do Ratinho”. Se foi desrespeitada ao tempo em que foi obrigada a retirar a sua candidatura, depois de ver o Babalorixá de Banânia minar-lhe os apoios, puxando seu tapete de uma forma miserável, a humilhação em cena aberta, para alguns milhares de telespectadores, foi além do suportável. Reproduzo uma vez mais a resposta de Lula quando indagado por Ratinho sobre os motivos de ter escolhido Haddad:
LULA —
Olhe, por uma razão muito simples: convivi com Haddad durante o tempo
que eu fui presidente da República; convivi com a Marta durante 30 anos…
A Marta já foi prefeita, uma belíssima prefeita em São Paulo, mas eu
achava que era o momento de a gente apresentar uma coisa nova para a
cidade de São Paulo. Porque um prefeito de São Paulo, qualquer que seja
ele, ele começa a nascer é já é um pouco velho. Eu falei outro dia isso…
Porque veja: o Fernando Haddad, com essa cara boa, bonita aí…
RATINHO — É, ele é bonitão, um galã…
LULA — Ganha as eleições, no dia 1º, dá um temporal aqui em São Paulo, já tá o prefeitozinho com a água até o pescoço. Então eu acho, acho que São Paulo precisa ter alguém que tenha o entusiasmo que ele teve cuidando da educação no Brasil (…)
RATINHO — É, ele é bonitão, um galã…
LULA — Ganha as eleições, no dia 1º, dá um temporal aqui em São Paulo, já tá o prefeitozinho com a água até o pescoço. Então eu acho, acho que São Paulo precisa ter alguém que tenha o entusiasmo que ele teve cuidando da educação no Brasil (…)
Ora… É
evidente que Lula não tem uma boa resposta para dizer por que não é
Marta a candidata do partido. Posso não apreciar a figura política (e
não aprecio); posso achar, e acho, que ela fala algumas monumentais
bobagens, mas calma lá! Já foi prefeita, deixou o cargo com altos
índices de aprovação, é senadora eleita há menos de dois anos com
expressiva votação, é conhecida da militância petista… Merecia, SEGUNDO
OS CRITÉRIOS DELES MESMOS, um pouco mais do que isso, não? Haddad nem
teve a delicadeza de citar o trabalho da “companheira” na cidade, tão
embevecido estava, com aquela cara de menino que não suja o shortinho,
com os elogios — de resto, descabidos e com dados mentirosos — que Lula
lhe fazia.
O mais
impressionante é que alguns manés, falando em nome da “ciência
política”, apontaram a genialidade de Lula em apostar no “novo”,
reproduzindo o que é uma peça de marketing da candidatura petista. Não
posso prever se Haddad vai se eleger ou não. Todos sabem que eu torço
para que isso não aconteça — à diferença da rede petralha financiada, no
entanto, não distorço os fatos em benefício do meu gosto. Ainda que
vença, o modo como se fez candidato representa o triunfo do atraso, não
da renovação.
Lula anda
errando a mão já faz algum tempo. A aparição no Ratinho, com Haddad a
tiracolo, violando a Lei Eleitoral, tinha sido considerada um gol de
placa pelos seus puxa-sacos. Como se vê, o tiro saiu pela culatra. A
ideia de fazer a CPI do Cachoeira para tentar desmoralizar a oposição, a
imprensa, o Judiciário e a Procuradoria-Geral da República,
beneficiando os mensaleiros, também era vista pelos áulicos como obra de
gênio. Por enquanto, está é sobrando tiro no pé.
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