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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mazzaropi completaria 100 anos nesta segunda

Pioneiro como ator e cineasta, o caipira que marcou a história do cinema brasileiro faria um século hojeMICHELI NUNES
micheli.nunes@diariosp.com.br
Considerado cult, o trabalho de Amácio Mazzaropi, que hoje completaria 100 anos, marcou a história do cinema nacional. Seu personagem mais famoso, o Jeca Tatu – baseado no trabalho do escritor Monteiro Lobato – virou referência como representação do homem do campo. “Ele solidificou a figura do caipira no cinema. Os que vieram antes não conseguiram agrupar os trejeitos básicos deste tipo característico e a própria cultura do interior”, explica o professor e doutor André Ferreira, especialista em Mazzaropi.

Apesar de ser referência no cinema, o ator, que nasceu na cidade de São Paulo mas foi criado em Taubaté, no interior do estado, começou sua carreira no rádio e logo migrou para televisão. Na década de 50 foi convidado pelos produtores Abílio Pereira de Almeida e Franco Zampari para fazer seu primeiro filme e, depois disso, se apaixonou e nunca mais abandonou as telonas.

Apesar de representar caipiras ingênuos, Amácio não se deixava enganar. Fundou sua própria produtora em 1958, chamada Pam Filmes. Visionário, ele investia todo o dinheiro que ganhava em equipamentos e sonhava em criar um novo cinema no Brasil. “Mazzaropi partiu do zero. Quando ator, prestava atenção em como se fazia cinema e, assim que se achou maduro o suficiente, partiu para a carreira de cineasta. Ele conseguiu ser o único exemplo de produtor independente da época que não foi lesado pelos distribuidores nacionais e estrangeiros, que se aproveitavam dos produtores menores”, conta André.

Se hoje são clássicos considerados importantíssimos, os filmes de Mazzaropi não agradaram os críticos da época. Massacrado pelos especialistas em cinema, ele próprio dizia que seu trabalho só seria reconhecido após sua morte, o que veio a ser uma profecia. Ainda assim, o povo adorava o trabalho do cineasta e todos os seus filmes, do primeiro, “Sai da Frente” (1952), até o último, “O Jeca e a Égua Milagrosa” (1980), foram sucesso de público.

O lucro que seus filmes traziam era tão grande que, todos os anos, no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, o cinema Art-Palácio, na Avenida São João, era reservado para “o filme novo do Mazzaropi”.

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