Eu quero debater Maquiavel com a senadora Marta Suplicy; parece que ela fez uma leitura muito particular do autor
Eu
quero, e modestamente me ofereço — dando a ela a prerrogativa de marcar
hora e local — debater Maquiavel com a senadora Marta Suplicy (PT-SP). E
me proponho a tanto porque ela própria, nesta quinta, sugeriu que o
florentino tem algo a esclarecer sobre a tentativa de chantagem de que
foi vítima o ministro Gilmar Mendes.
Está em
curso uma operação desfechada por petistas, pela subjornalismo
financiado por dinheiro público e por setores da imprensa paulista —
mesmo aquela que não integra oficialmente o lixão, a esgotosfera, o JEG.
Trato do assunto daqui a pouco.
Com aquela
ligeireza que tão bem a caracteriza, a petista comentou o confronto
Gilmar Mendes-Lula nestes termos: “Se ocorreu ou não, existem versões.
Eu acho que ficou um ponto de interrogação mais para o lado do ministro
do que para o presidente Lula”. Segundo ela, o fato de o ministro ter
denunciado a iniciativa destrambelhada do ex-presidente “fez muito mal
para o Brasil”. Indagada das possíveis motivações, então, de Mendes,
disparou com, desta vez, ignorância elegante: “Se a gente ler bem
Maquiavel talvez encontre algumas explicações”.
Qual Maquiavel? Qual trecho e de que livro?
A única
passagem que talvez se aplique ao caso explica mais Lula do que Mendes.
Deve o Príncipe ser amado ou ser temido? Entre os dois, é certo que o
melhor é ser temido, considera, Vejam lá por quê. Discursando ontem numa
solenidade oficial, o ApeDELTA disse, no entanto, que é amado por
muitos e que só uns poucos não gostam dele — e com estes, afirmou,
precisa tomar cuidado.
Na prática,
dá para saber como funcionam as coisas. Lula quer, sim, ser amado, e
isso excita a sua benevolência, mas já deixou claro mais de uma vez que
os que não gostam dele têm razões de sobra para temê-lo. Entre ser amado
e temido, ele fica com os dois.
Marta
Suplicy é vice-presidente do Senado. A exemplo de Marco Maia (PT-RS),
presidente da Câmara, é mais uma que ignora a instituição para servir ao
chefão decadente de um partido.
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