PF flagra 22 citações a ex-número 2 da Delta
Por Alfredo Junqueira, no Estadão:
A estratégia da construtora Delta de jogar sobre seu ex-diretor Cláudio Abreu toda a responsabilidade pelos desvios identificados na Operação Monte Carlo esbarra no farto material de investigação que a Polícia Federal tem sobre outros integrantes da cúpula da empresa.
A estratégia da construtora Delta de jogar sobre seu ex-diretor Cláudio Abreu toda a responsabilidade pelos desvios identificados na Operação Monte Carlo esbarra no farto material de investigação que a Polícia Federal tem sobre outros integrantes da cúpula da empresa.
O inquérito,
que tramita na 11.ª Vara Criminal Federal de Goiás, mostra que Carlos
Pacheco, diretor executivo licenciado da Delta - o número dois da
construtora -, e Heraldo Puccini Neto, responsável pela empresa na
Região Sudeste e considerado foragido da Justiça, mantiveram contato
frequente com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos
Cachoeira, e outros integrantes de sua organização entre março e agosto
do ano passado.
A PF também
identifica referências ao dono da empresa, Fernando Cavendish - que se
licenciou da presidência do conselho da construtora há dez dias -, em
conversas de Cachoeira com Abreu e com o senador Demóstenes Torres (sem
partido-GO).
Nas
gravações feitas pela PF, Pacheco é citado em pelo menos 22 diálogos do
contraventor e de seus aliados. Dois encontros foram agendados entre ele
e Cachoeira, indicam gravações realizadas em junho e julho do ano
passado. Em 15 de junho, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez
informa a Cachoeira que está chegando na casa do contraventor
“acompanhado de Cláudio, Heraldo e Pacheco”.
Pacheco
também teria se oferecido como sócio de Cachoeira na compra de um
terreno. Em 15 de agosto de 2011, Abreu leva um suposto recado do
diretor ao contraventor: “Falei que você tava comprando. Ele tá querendo
entrar com você na compra da área”. Cachoeira propõe parcerias na
construção de imóveis do Programa Minha Casa, Minha vida: “Fala lá com o
Pacheco, vê se ele tem interesse”.
O
contraventor também demonstra intimidade ao falar do número dois da
Delta. Em conversa com Abreu no dia 1.º de junho de 2011, Cachoeira
manda: “Amanhã, você dá uma cacetada no Pacheco porque não entrou nada
viu? Tudo atrasado, tudo atrasado”. No dia seguinte, Cachoeira pede a
Abreu que mande um avião a Brasília para levar Demóstenes ao encontro de
Pacheco em Goiânia.
Além da
Monte Carlo, Pacheco agora tem de prestar esclarecimentos em ação
proposta pelo Ministério Público Federal no Tocantins sobre o suposto
uso de documentação falsa para que a Delta participasse de licitações
para prestação de serviços de limpeza urbana.
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Tags: CPI do Cachoeira, Delta
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