Ok, também falarei sobre Xuxa no Fantástico. Só não sei se é o que esperam ler…
Ai, ai… Vou mesmo ter de falar sobre a Xuxa? Vou! Então tá.
Começo pelo
aspecto que mais chamou a minha atenção nessa história toda: o ataque de
subcelebridades (inclusive as do subjornalismo e da Internet) ao
Fantástico — mero pretexto para atacar a Rede Globo — , que teria optado
pelo sensacionalismo etc. e tal. Que sensacionalismo? Nesse particular,
tudo foi muito sóbrio.
Vamos ver.
Se uma pessoa nacionalmente conhecida como Xuxa está disposta a revelar
que foi vítima de abuso quando criança, isso é ou não é notícia? Isso
merece ou não espaço num programa como o Fantástico? Que emissora no
mundo se recusaria a levar a declaração ao ar? Criticar a Globo por isso
é, com efeito, a manifestação de sempre de rancor e ressentimento com
quem é líder de audiência. “Ah, mas estava querendo ibope…” E daí?
Jornalistas querem ser lidos, programas de TV querem ser vistos etc.
Desde que não se recorra a expedientes antiéticos para conseguir esse
intento — e não parece que tenha sido o caso —, qual é o problema?
Agora a coisa em si
Isso não significa que eu tenha gostado do que vi. Se a Globo tinha até a obrigação de ter levado a coisa ao ar, a decisão de Xuxa me parece equivocada — ainda que tenha vindo junto com a revelação de que ela dá apoio a crianças vítimas de abuso e que sua mensagem possa conter um sentido de alerta.
Isso não significa que eu tenha gostado do que vi. Se a Globo tinha até a obrigação de ter levado a coisa ao ar, a decisão de Xuxa me parece equivocada — ainda que tenha vindo junto com a revelação de que ela dá apoio a crianças vítimas de abuso e que sua mensagem possa conter um sentido de alerta.
Eu não gosto
desse tipo de exposição. Em 2002, quando Lula chorou diante das câmeras
de Duda Mendonça, contando a morte de sua primeira mulher e do bebê no
parto, eu o censurei severamente. Tenho claro que uma coisa é a
dor que se sente, outra, diferente, a dor que se exibe diante de uma
câmera, por mais decorosa que a pessoa seja. Xuxa foi um pouco mais do
que Lula. Ela chora com mais dificuldade do que ele…
Curiosamente, a dor dele comoveu milhões; a dela resultou numa corrente
na Internet que traz grande carga de ressentimento. Recorrendo a uma
imagem infeliz de Lula, gente loura e de olhos azuis também pode sofrer,
ora essa! O ponto é outro.
Não
compreendo a que tipo de apelo interno ou necessidade atendeu a
confissão de Xuxa. Se ela é, como é sabido, uma das celebridades mais
protegidas por um impressionante aparato de segurança, que a mantém
distante da vigilância do grande público, por que a revelação agora? Por
que essa brutal exposição da intimidade? Deveria, a meu ver, ter sido
convencida a tempo, por amigos e familiares, a não fazê-lo.
Quanto ao
Fantástico em si, não há nada de errado. Fez o que tinha de fazer. E fim
de papo. Eu não gostei, na noite de ontem, foi de outra coisa,
infinitamente mais importante. Depois que o “aquecimento global” (ou
“mudanças climáticas”) caiu em desuso, a repórter Sônia Bridi e seu
marido, o cinegrafista Paulo Zero, resolveram aderir a outra tese do
terrorismo ecochato: a suposta superpopulação do planeta. O
malthusianismo voltou com tudo, agora vestindo nova roupagem. Antes, o
mundo chegaria ao colapso por causa da falta de alimentos; agora, do
esgotamento dos recursos naturais. A perspectiva continua reacionária.
Mas cuidarei disso em outro post.
Voltando ao
caso Xuxa: é impressionante que até um depoimento como aquele vire
pretexto, em determinadas áreas, para malhar a Globo. Também acho
impossível tecer considerações sobre a qualidade do relato, se
convincente ou não. No meu tribunal pessoal, coisas dessa natureza têm
de ser tratadas em outro ambiente, distante das câmeras. Xuxa considerou
que não. E a única coisa que havia a fazer era levar seu depoimento ao
ar.
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