Minha lista de blogs

terça-feira, 22 de maio de 2012


Ok, também falarei sobre Xuxa no Fantástico. Só não sei se é o que esperam ler…

Ai, ai… Vou mesmo ter de falar sobre a Xuxa? Vou! Então tá.
Começo pelo aspecto que mais chamou a minha atenção nessa história toda: o ataque de subcelebridades (inclusive  as do subjornalismo e da Internet) ao Fantástico — mero pretexto para atacar a Rede Globo — , que teria optado pelo sensacionalismo etc. e tal. Que sensacionalismo? Nesse particular, tudo foi muito sóbrio.
Vamos ver. Se uma pessoa nacionalmente conhecida como Xuxa está disposta a revelar que foi vítima de abuso quando criança, isso é ou não é notícia? Isso merece ou não espaço num programa como o Fantástico? Que emissora no mundo se recusaria a levar a declaração ao ar? Criticar a Globo por isso é, com efeito, a manifestação de sempre de rancor e ressentimento com quem é líder de audiência. “Ah, mas estava querendo ibope…” E daí? Jornalistas querem ser lidos, programas de TV querem ser vistos etc. Desde que não se recorra a expedientes antiéticos para conseguir esse intento — e não parece que tenha sido o caso —, qual é o problema?
Agora a coisa em si
Isso não significa que eu tenha gostado do que vi. Se a Globo tinha até a obrigação de ter levado a coisa ao ar, a decisão de Xuxa me parece equivocada — ainda que tenha vindo junto com a revelação de que ela dá apoio a crianças vítimas de abuso e que sua mensagem possa conter um sentido de alerta.
Eu não gosto desse tipo de exposição. Em 2002, quando Lula chorou diante das câmeras de Duda Mendonça, contando a morte de sua primeira mulher e do bebê no parto, eu o censurei severamente. Tenho claro que uma coisa é a dor que se sente, outra, diferente, a dor que se exibe diante de uma câmera, por mais decorosa que a pessoa seja. Xuxa foi um pouco mais do que Lula. Ela chora com mais dificuldade do que ele… Curiosamente, a dor dele comoveu milhões; a dela resultou numa corrente na Internet que traz grande carga de ressentimento. Recorrendo a uma imagem infeliz de Lula, gente loura e de olhos azuis também pode sofrer, ora essa! O ponto é outro.
Não compreendo a que tipo de apelo interno ou necessidade atendeu a confissão de Xuxa. Se ela é, como é sabido, uma das celebridades mais protegidas por um impressionante aparato de segurança, que a mantém distante da vigilância do grande público, por que a revelação agora? Por que essa brutal exposição da intimidade? Deveria, a meu ver, ter sido convencida a tempo, por amigos e familiares, a não fazê-lo.
Quanto ao Fantástico em si, não há nada de errado. Fez o que tinha de fazer. E fim de papo. Eu não gostei, na noite de ontem, foi de outra coisa, infinitamente mais importante. Depois que o “aquecimento global” (ou “mudanças climáticas”) caiu em desuso, a repórter Sônia Bridi e seu marido, o cinegrafista Paulo Zero, resolveram aderir a outra tese do terrorismo ecochato: a suposta superpopulação do planeta. O malthusianismo voltou com tudo, agora vestindo nova roupagem. Antes, o mundo chegaria ao colapso por causa da falta de alimentos; agora, do esgotamento dos recursos naturais. A perspectiva continua reacionária. Mas cuidarei disso em outro post.
Voltando ao caso Xuxa: é impressionante que até um depoimento como aquele vire pretexto, em determinadas áreas, para malhar a Globo. Também acho impossível tecer considerações sobre a qualidade do relato, se convincente ou não. No meu tribunal pessoal, coisas dessa natureza têm de ser tratadas em outro ambiente, distante das câmeras. Xuxa considerou que não. E a única coisa que havia a fazer era levar seu depoimento ao ar.
Por Reinaldo Azevedo

Nenhum comentário:

Postar um comentário