Quanto de cana-de-açúcar produzimos ao longo dos séculos? Tudo para o
exterior. Pau-brasil saiu a troco de simples extração.
No século XVIII, Portugal chegou a ver a sua população
reduzida pela metade com a corrida em busca do ouro brasileiro. Há relatos de
mortos de fome com o bolso cheio de pepitas. O ouro encontrado foi remetido
para o exterior e os diamantes entregues para os anglo-holandeses. As
monoculturas se estenderam para atender aos interesses dominantes. O manganês
foi retirado da Serra do Navio, Amapá, e depositado como reserva estratégica
nos Estados Unidos. Saiu borracha e ficou apenas a construção de um teatro.
Nunca nos é permitido, pelo conluio do comércio
internacional com a nossa elite espúria, um desenvolvimento harmonioso das
nossas comunidades. Toda e qualquer exportação sempre é direcionada para
atender ao interesse externo, seja extrativista, mineral, agrícola e só pode
ser retratada como saída de riqueza, para deixar buraco e miséria.
Não há, ainda, um termo para expressar a situação
em que vivemos. Entretanto miramos a África e nos lembramos da frase de Jomo
Kenyatta, primeiro presidente do Quênia: Os Europeus chegaram na África e eles
tinham a Bíblia e nós a terra e nos ensinaram a orar com os olhos fechados e
quando os abrimos eles tinham a terra e nós a Bíblia.
Com todos os métodos, os “escolhidos” europeus e
agora, também, os americanos,chegam,ocupam tudo e quando abrimos os olhos não
temos nada em nossas mãos.
As empresas, os bancos, os portos, os mercados, as
editoras, os transportes, os serviços de água, a energia, o petróleo, a
população agrícola, as indústrias, até os clubes de futebol. Céus! Estamos
ocupados. Somos empregados mal assalariados das corporações transnacionais.
Africanar... já somos rotulados de atrasados,
incompetentes e já está montada toda uma estrutura do controle das
comunicações, sucateamento do ensino, desagregação das nossas instituições,
enfraquecimento das Forças Armadas na direção de exercerem o seu papel de
defesa da nossa soberania e população.
O africanar tem que ser bloqueado nem a África nem
qualquer outra região do mundo merecem permanecer nesse quadro de exploração e
miséria.
A guerra, neste século XXI, está em franca evolução
com a aliança dos organismos internacionais (supostamente criados para ver o
bem comum) e as corporações financeiras, contra a humanidade.
Nenhuma ética filosófica, política ou religiosa
justifica e estagnação da maior parte das comunidades na miséria esmagadas por
avalanches de papel pintado e dívidas desnecessárias.
“Isto não é comigo” e “não posso fazer nada”, são
as concepções impregnadas nas mentes das pessoas pelos meios de comunicação
para impedir qualquer mudança ou reação.
Vamos fazer uma revolução!!!
Peguem a arma mais forte que existe no universo: a
idéia, ajustem-na com a convicção. Coloquem-na com a alma da justiça e da
eqüidade. Tornem-na radiante com o conhecimento. Façam-na viável com o
saber-fazer. Alimentem-na sempre com a certeza de que o preceito do mundo não é
o egoísmo nem a competitividade, mas a simbiose em que você sempre tem o todo
melhor que cada uma das partes. Assim, poderemos mostrá-la aberta a todos os
homens de bom senso e humanísticos.
Basta!
Temos o direito de viver bem!
Os bens e os serviços essenciais têm que ter gestão
comunitária.
Privatização representa só ter o bem ou o serviço
se tiver dinheiro. Chega de exclusão, de exploração.
Vamos anular o Africanar pela compreensão,
eqüidade, simbiose, solidariedade, conhecimento e especialmente, pela
hiper-revolução pessoal, aproveitando todos os segundos do dia para seja, onde
estiver, conscientizar e discutir para criar uma opinião pública de que o nosso
país tem de ser um lugar bom para todos viverem e criarem seus filhos com
dignidade.
Resistir é possível. Resistir é preciso.
Rui Nogueira é Escritor.
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