Custo do arroubo chavista de Dilma: quase R$ 40 bilhões só no setor elétrico
Levante
a mão quem é contra o barateamento, em si, da energia elétrica. Existe?
E por que haveria alguém? Estupidez? Maldade congênita? Fetiche? A
hipótese é, por si, um despropósito. A questão, obviamente, não está em
ser contra ou a favor, mas na forma como atuou a presidente Dilma
Rousseff. Tudo considerado, a intervenção no setor elétrico foi a maior
barbeiragem do seu governo até agora. Em pouco mais de quatro meses, o
valor de mercado de 34 empresas brasileiras do setor de energia elétrica
listadas na Bolsa de Valores caiu R$ 37,23 bilhões. Nunca antes na
história destepaiz se operou uma “revolução” num setor da economia desvalorizando de forma brutal as empresas. É uma sandice.
E por que
aconteceu? Porque Dilma agiu como se o mercado não existisse. Ela
ignorou que uma das naturezas do capitalismo – de sua boa natureza – é
botar preço nas coisas. Se o governo intervém num setor e, sem um plano
consistente e conhecido de investimentos, baixa o valor do bem ou do
serviço oferecido, sem a devida compensação, a máquina de calcular é
acionada. E o que os investidores encontram ao fim das operações?
Prejuízo. Por que esses investidores – que são, presidente Dilma,
financiadores da atividade – continuariam a apostar no que certamente
seria um mico? Por patriotismo? Por amor à causa?
Felizmente,
o Brasil não é a Venezuela. E, acreditem, uma das estruturas que ajudam
a impedir que seja é justamente haver um mercado relativamente
estruturado, que serve de radar. Desestimula a sanha intervencionista
dos governantes. Dilma achou que, no que concerne ao setor elétrico ao
menos, poderia dar uma de Hugo Chávez: “Vou, faço e pronto!”. Não é
assim, não! E que se note: tais arroubos voluntaristas não dão certo nem
mesmo na Venezuela, como estamos cansados de saber.
“Ah, então
vamos ficar agora à mercê desse tal mercado?”, pergunta o mais
indignado. A menos que se tenha uma ideia melhor para conseguir os
recursos necessários, parece-me que ele terá, sim, de ser considerado.
Não se
trata de um braço de ferro. As empresas da área não têm como fazer
estoque, por exemplo, para pressionar o governo. Quem notou a gigantesca
trapalhada, reitero, foi o mercado, cuja natureza é buscar boas
oportunidades. Dilma não negociou com ninguém o seu milagre da energia
barata. Se era mesmo assim tão simples; se bastava atuar na base da
canetada, com discurso na TV; se a solução para um problema complexo era
tão fácil, pergunta-se o óbvio: por que ninguém teve a ideia, nem mesmo
Lula, de fazê-lo antes? A resposta: porque nunca foi nem simples nem
fácil.
O setor
elétrico, ao contrário do anunciado, continuou a ser um dos gargalos
graves da infraestrutura brasileira e, lembre-se de novo!, é ainda
dependente das chuvas. Com um crescimento da economia ridículo, muito
abaixo da média dos emergentes e de economias subdesenvolvidas da
América Latina, TODAS AS TERMELÉTRICAS brasileiras tiveram de ser
acionadas. Não é preciso ser bidu para saber que um barateamento da
energia levará a um aumento do consumo. Se a sorte não sorrir para Dilma
com chuvas torrenciais nos lugares certos, é evidente que aumenta a
chance de haver crise de abastecimento, racionamento, apagão. Como a
economia trotando como um pangaré, a gente vai levando… Mas quanto
precisa e quer crescer o Brasil?
Dilma se
meteu numa enrascada. Pior: está demorando para admitir o erro e acha
que pode resolver tudo na base do puro proselitismo e do “faço e
aconteço”. Aqui e ali se nota que o simples debate sobre a possibilidade
de racionamento é tratada como se fosse sabotagem e conspiração. Alguns
animadores de auditório do governismo atribuem as críticas à decisão do
governo como mero braço de ferro entre os que querem uma energia mais
barata e os que a querem mais cara, como se isso fosse uma questão de
escolha. E não é.
Dilma não é
exatamente uma entusiasta do mercado, não é? Vejam o tempo que demorou
para admitir que precisava do setor privado para tornar aceitáveis os
aeroportos brasileiros. Lembrei ontem aqui que a crise no setor explodiu
em meados de 2006. Quase sete anos se passaram, e só agora se começa a
dar uma resposta.
Eis aí um
dos malefícios de se ter uma oposição raquítica no Brasil. O necessário
trabalho de vigiar o governo – é a sua principal tarefa – fica restrito à
imprensa. O apagão mais grave que enfrenta o país é o da crítica.
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