Termas Romanas de Bath, Inglaterra (séculos I ao III)
Creio que já ficamos sabendo do caldarium, do tepidarium, do frigidarium. E do extraordinário hipocausto. Não havia uma ordem rígida para os banhos, mas havia, sim, a necessidade imperiosa de que o banhista primeiro transpirasse para facilitar a retirada da sujeira maior antes de entrar nas águas das Termas.
Para isso você contava com a ajuda dos strigils (foto o lado)...
que você usava sozinho ou, se fosse rico, tinha um escravo para usar o
strigil em você. Não devia ser fácil o banho dos Romanos...Depois dessa etapa, você escolhia as águas que queria, se quentes, frias, mornas, salgadas ou doces. E a massagem ou o barbeiro, ou o tratamento para a pele. A vaidade não nasceu hoje.
Mas lembre-se que depois você podia ir para a biblioteca, ou para o jardim ou até para o thermopolium tomar uma taça de vinho e comer um pedaço de bolo quente antes de voltar para casa.
A tal ponto era importante o banho para os Romanos que havia uma saudação simpática quando você encontrava um amigo na porta das Termas:
Bene Lave! (tenha um bom banho!)
Roma foi de todas as civilizações da antiguidade clássica a que mais nos influenciou, disso não há a menor dúvida. E como ela foi influenciada pelas civilizações que conquistou, e foi assimilando a cultura que conheceu em cada uma delas, a nossa herança foi muito rica em Direito, Artes, Literatura, Engenharia, Tecnologia. Em Governar e Guerrear. E na difusão do Cristianismo.
De Roma somos credores.
Em pleno condado de Somerset, sudeste da Inglaterra, Bath é uma cidade encantadora. Ali temos a grandiosa herança dos Banhos Romanos, origem do nome da cidade, as joias da arquitetura georgiana e, para quem ama Jane Austen, um centro que nos fala da mais famosa das visitantes-residentes de Bath.
À medida que os Romanos avançavam pelo oeste da Inglaterra, abrindo estradas, acabaram por atravessar o rio Avon. Ali perto encontraram uma fonte de águas quentes. Jorrava aproximadamente um milhão de litros de água por dia, numa temperatura de mais ou menos 48 graus centígrados.

Desde a Idade do Bronze esse local onde fica a fonte termal era tratado como lugar de devoção dedicado à deusa Sulis, cuja imagem os Romanos identificaram como Minerva. O nome Sulis, no entanto, continuou a ser usado pelo conquistador.
Deram à cidade o nome latino de Aquae Sulis, ‘as águas de Sulis’. Os Romanos construíram um reservatório para controlar o fluxo das águas, piscinas, e um templo. Logo uma cidade cresceu em volta. Muitos Romanos consideravam essa fonte miraculosa e a fama se espalhou. Resultado, de todo o Império Romano acorriam pessoas em busca de cura, seja por imersão, seja bebendo as águas da fonte.

Um hábito muito curioso, que os Romanos já encontraram na fonte, persistiu durante muito tempo: as tabuletas de maldição. Se você tivesse sido prejudicado por alguém, escrevia num pedaço de metal a praga que rogava para seu malfeitor. Por exemplo, se um cidadão tivesse suas roupas roubadas enquanto estava se banhando, ele escrevia o que desejava contra os suspeitos do roubo e jogava na fonte para que a mensagem fosse lida pela deusa Sulis Minerva. Os arqueólogos encontraram muitas tabuinhas dessas.
Na primeira década do século V, com a decadência do Império Romano, algumas instalações romanas dos banhos foram abandonadas. Mas a fonte de águas termais não foi abandonada.
O spa que os Romanos criaram voltou a ser usado por pessoas que atraidas pelos relatos das curas milagrosas, iam até Bath. No período Georgiano, a cidade voltou a crescer e durante o reinado dos reis George I, II, II e IV (1714 to 1830) recebeu as belas construções que a enfeitam.
Em março de 2012 foi descoberto um verdadeiro tesouro a menos de 500 passos das Termas: 30 mil moedas Romanas, de prata, que se acredita datam do século III. Mas ainda é tudo muito recente...
Maquete das Termas e do Templo de Sulis Minerva como deviam ser no século IV
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