O verdadeiro ministro das Minas e Energia no Brasil ainda é SÃO PEDRO.
Sim,
o governo FHC pisou no tomate no setor elétrico. A primeira capa
tratando do assunto e anunciando que haveria racionamento de energia em
2001, quando quase ninguém tocava no assunto, foi publicada pela revista
República-Primeira Leitura, dirigida por este escriba. Eu já pensava
sobre o PT e os petistas o que penso hoje. Eu já pensava sobre o PSDB e
os tucanos o que penso hoje. A vitória de Lula na eleição presidencial
de 2002 se deve a uma penca de fatores. Qualquer que seja o elenco
escolhido pelo analista, o que se chamou “apagão” tem de estar entre os
centrais. Racionamento de energia desmoraliza governos, derruba o
crescimento, impede investimentos etc. Essas coisas acabam virando voto.
Muito bem!
A falta de planejamento nesse setor fez com que o país ficasse
dependente das chuvas, que não faltaram ao longo de nove anos de
governos petistas. São Pedro, como ironiza uma amigo que conhece
bastante a área, resolveu pôr um freio na arrogância do petismo só no
10º ano. Pois bem: onze anos depois do tal “apagão” e da suposta
revolução promovida pelo petismo no setor — sob o comando unipessoal de
Dilma Rousseff —, descobre-se que o Brasil continua… dependente das
chuvas.
Reportagem
da própria Agência Brasil, que é estatal, demonstra que quase 25% da
energia consumida no país está vindo de termelétricas. Mesmo assim,
ainda que o governo negue, a esmagadora maioria dos especialistas vê,
sim, no horizonte, o risco de racionamento (ler post anterior).
Atenção,
meus caros! O Brasil está nessa situação crescendo pouco mais de 1% em
2012. Ainda que houvesse condições econômicas de voltar a crescer 5%,
não haveria energia. “Ah, mas, agora, ao menos temos termelétricas para
garantir o abastecimento…” Bem, só faltava não haver nem isso depois do
trauma de 2001…
O caso da
energia é mais uma evidência de que algumas das “conquistas” do petismo,
nesses anos, dependeram menos do planejamento e da visão estratégica do
que de um conjunto de fatores que jamais foram da escolha de Lula,
Dilma ou de qualquer outro.
Dado o
cenário, chega a ser patético que o governo tenha feito da energia
barata um dos pilares de uma nova e suposta arrancada do crescimento
econômico. Não é só o conteúdo que espanta: também a forma. No modelo
imaginado pelos sábios de Dilma, a Cesp, a Cemig e a Copel iriam à
falência. O plano foi posto em marcha sem margem para negociação.
Afinal, sabem como é… A presidente é uma suposta especialista na área.
Não,
leitor! Investimento em energia não é coisa que se resolva em um ou dois
anos. Mas já é possível saber que resposta se deu depois de 10. Está
aí: o verdadeiro ministro das Minas e Energia no Brasil ainda é São
Pedro — no Nordeste, reza-se para São José… E como o santo tem evocado!
Por incrível que pareça, a região assiste ao renascimento da indústria
da seca, com todo o seu show de horrores e sua deprimente paisagem
humana…
Mas, como
não cansam de lembrar os petralhas, faço parte daqueles 3% ou 4% que
acham o governo ruim — vocês sabem: a minoria reacionária… A maioria,
consta, exibe um Índice de Felicidade (este novo critério a unir idiotas
de esquerda e de direita) quase tão elevado quanto o da população do
Butão, onde as pessoas são miseráveis, desdentadas, analfabetas e
felizes. Pena Platão não ter vivido para conhecer o ditador do Butão.
Com sabedoria, a gente já sabe que não se faz um Tirano de Siracusa.
Quem sabe com a ignorância…
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