Alto lá! A primeira-amiga íntima de Lula merece mais respeito!
Rosemary
Nóvoa Noronha, a dita “amiga íntima” do então presidente Lula, que
chefiava o escritório da Presidência em São Paulo até ser defenestrada
pela Operação Porto Seguro, parecia ser apenas a personagem quase
folclórica de um esquema de corrupção incrustado no coração do Poder
Executivo. Na VEJA desta semana, os repórteres Rodrigo Rangel e Daniel
Pereira demonstram que não. A revista teve acesso à sua agenda.
Reproduzo trecho da reportagem e volto em seguida.
*
Não era bem o que parecia. Quando o nome de Rosemary Nóvoa de Noronha veio a público com a deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, a amiga íntima do ex-presidente Lula e então chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo não passava de uma “petequeira”. A expressão, cunhada pelo ex-deputado Roberto Jefferson para designar funcionários públicos que se deixam corromper em troca de ninharia, parecia feita para ela. Rose, como é conhecida, foi acusada de integrar uma quadrilha especializada em fraudar pareceres oficiais para beneficiar empresários trambiqueiros. Defendia os interesses dos criminosos no governo e, em contrapartida, tinha despesas pagas por eles – de cirurgia plástica a prestações de carro. A versão da petequeira foi providencialmente adotada pelo PT. Rose, ventilou o partido, agiria apenas na arraia-miúda do governo e sem nenhuma relação com a sigla. Eis uma tese que os fatos vêm insistindo em derrubar.
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Não era bem o que parecia. Quando o nome de Rosemary Nóvoa de Noronha veio a público com a deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, a amiga íntima do ex-presidente Lula e então chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo não passava de uma “petequeira”. A expressão, cunhada pelo ex-deputado Roberto Jefferson para designar funcionários públicos que se deixam corromper em troca de ninharia, parecia feita para ela. Rose, como é conhecida, foi acusada de integrar uma quadrilha especializada em fraudar pareceres oficiais para beneficiar empresários trambiqueiros. Defendia os interesses dos criminosos no governo e, em contrapartida, tinha despesas pagas por eles – de cirurgia plástica a prestações de carro. A versão da petequeira foi providencialmente adotada pelo PT. Rose, ventilou o partido, agiria apenas na arraia-miúda do governo e sem nenhuma relação com a sigla. Eis uma tese que os fatos vêm insistindo em derrubar.
No mês
passado, VEJA revelou que a amiga de Lula usava o cargo para agendar
reuniões com ministros de estado: abria as portas, inclusive de
gabinetes no Palácio do Planalto, a interesses privados. Agora,
descobre-se que sua área de atuação abrangia também setores de
orçamentos bilionários, como o Banco do Brasil (BB) e o fundo de pensão
de seus funcionários, a Previ. Rose, a petequeira, participou ativamente
das negociações de bastidores que definiram a sucessão no comando tanto
do BB quanto no da Previ, defendeu pleitos de caciques do PT junto à
cúpula do banco e atuou como lobista de luxo de empresários interessados
em ter acesso à direção e ao caixa da instituição. Sua agenda de
compromissos como chefe do gabinete da Presidência em São Paulo, obtida
por VEJA, mostra que, graças à intimidade com o então presidente, a
mulher que num passado não muito remoto era uma simples secretária se
transformou numa poderosa personagem do governo Lula.
(…)
Voltei
Alto lá! Mais respeito com a primeira-amiga íntima de Lula! Embora os eventuais aspectos fesceninos da história possam provocar um desvio de atenção, Rose era uma poderosa lobista. Sua agenda revela, por exemplo, que, entre, entre 2007 e 2010, ela manteve ao menos 39 reuniões com representantes da cúpula do Banco do Brasil — 28 delas com vice-presidentes! Ela também influía nas escolhas para cargos de direção. Nem é preciso agenda para demonstrar seu poder. Leia isto: “A Rose levava as demandas institucionais do banco para o presidente. Esse contato direto foi muito positivo”. De quem é essa fala? De Ricardo Oliveira, um dos vice-presidentes do banco até o ano passado e um dos mais fiéis aliados do atual presidente da instituição, Aldemir Bendine, cuja indicação contou com uma forcinha a primeira-amiga íntima.
(…)
Voltei
Alto lá! Mais respeito com a primeira-amiga íntima de Lula! Embora os eventuais aspectos fesceninos da história possam provocar um desvio de atenção, Rose era uma poderosa lobista. Sua agenda revela, por exemplo, que, entre, entre 2007 e 2010, ela manteve ao menos 39 reuniões com representantes da cúpula do Banco do Brasil — 28 delas com vice-presidentes! Ela também influía nas escolhas para cargos de direção. Nem é preciso agenda para demonstrar seu poder. Leia isto: “A Rose levava as demandas institucionais do banco para o presidente. Esse contato direto foi muito positivo”. De quem é essa fala? De Ricardo Oliveira, um dos vice-presidentes do banco até o ano passado e um dos mais fiéis aliados do atual presidente da instituição, Aldemir Bendine, cuja indicação contou com uma forcinha a primeira-amiga íntima.
Já se
noticiou que uma empresa de fundo de quintal de familiares de Rose
celebrou um contrato de R$ 1,2 milhão com uma subsidiária do Banco do
Brasil. A agenda revela que, no período de negociação, ela manteve
reuniões na presidência do banco com funcionários ligados justamente à
área que garantiu a boquinha. Um deles era José Salinas, vice-presidente
de Tecnologia até junho de 2010 e amigão de José Dirceu. Rose tentou
emplacar a sua permanência no cargo. Não conseguiu. Salinas, no entanto,
não tem do que reclamar. Atualmente, dá expediente em Nova York como
gerente regional do BB para a América do Norte.
A agenda
evidencia um encontro seu com o então advogado-geral da União, José
Antônio Dias Toffoli, hoje ministro do Supremo. Também dava as
boas-vindas a empresas estrangeiras que se instalavam no Brasil. Em
2009, ela se reuniu duas vezes com um representante da Boiron,
multinacional do setor de medicamentos. Só isso? Informa VEJA: “O rol de
compromissos inclui ainda representantes de uma companhia japonesa,
bancos privados, empresas aéreas e associações empresariais. Coisa digna
de ministra de estado. Petequeira?”.
Encerro
O que uma simples chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo — uma desnecessidade absoluta — tinha a conversar ou a negociar com esses potentados? Eis, por enquanto ao menos, um dos segredos mais bem guardados da República. Os petistas fazem um esforço danado para que essa desenvoltura pareça coisa natural. Em certos setores, até se lastimam, como posso escrever?, as escolhas do indivíduo Lula, como se estivéssemos diante de uma mera questão pessoal.
Encerro
O que uma simples chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo — uma desnecessidade absoluta — tinha a conversar ou a negociar com esses potentados? Eis, por enquanto ao menos, um dos segredos mais bem guardados da República. Os petistas fazem um esforço danado para que essa desenvoltura pareça coisa natural. Em certos setores, até se lastimam, como posso escrever?, as escolhas do indivíduo Lula, como se estivéssemos diante de uma mera questão pessoal.
A agenda
de Rose demonstra que é imerecido o tratamento às vezes pitoresco que se
dá ao caso. Rose, como se vê, merece ser tratada como mais respeito,
certo?
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