Ministério Público denuncia Rosemary Noronha e mais 23 na Operação Porto Seguro
Por Jean-Philip Struck, na VEJA.com:
O Ministério Público Federal denunciou nesta sexta-feira 24 suspeitos de participação no esquema criminoso desarticulado na Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. A ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Novoa de Noronha, uma das principais personagens do escândalo, foi denunciada por formação de quadrilha, corrupção passiva, tráfico de influência e falsidade ideológica.
O Ministério Público Federal denunciou nesta sexta-feira 24 suspeitos de participação no esquema criminoso desarticulado na Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. A ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Novoa de Noronha, uma das principais personagens do escândalo, foi denunciada por formação de quadrilha, corrupção passiva, tráfico de influência e falsidade ideológica.
Além de Rosemary, foram denunciados por formação de quadrilha, o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Rodrigues Vieira, seus irmãos, o ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Rubens Rodrigues Vieira e o comerciante Marcelo Vieira e os advogados Marco Antonio Negrão Martorelli e Patricia Santos Maciel da Oliveira.
Paulo
Vieira, que é apontado como o chefe do esquema, acumulou a maior
quantidade de crimes, de acordo com a denúncia. O ex-diretor da ANA foi
denunciado por sete acusações de corrupção ativa, duas por falsidade
ideológica, e uma por falsificação de documento e tráfico de influência,
além da formação de quadrilha.
A
procuradoria também decidiu denunciar dois suspeitos que não haviam sido
indiciados pela Polícia Federal. O delator do esquema, o auditor do
Tribunal de Contas da União, Cyonill da Cunha Borges de Faria Júnior e o
vice-presidente jurídico dos Correios, Jefferson Carlos Carus Guedes,
foram denunciados por corrupção passiva. “Está mais do que comprovado de
que o Cyonill solicitou as vantagens indevidas. Ele cobrava
reiteradamente do Paulo Vieira valores combinados”, disse a procuradora
da República Suzana Fairbanks. Segundo a denúncia, o auditor recebeu uma
propina de 100 000 reais para elaborar um parecer encomendado por Paulo
Vieira.
Núcleos
Os outros 16 denunciados são acusados em crimes como corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e falsificação de documento. Entre eles estão o ex-número dois da Advocacia-Geral da União, José Weber Holanda Alves, denunciado por duas acusações de corrupção passiva, e o ex-senador Gilberto Miranda, que vai responder por três acusações de corrupção ativa.
Os outros 16 denunciados são acusados em crimes como corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e falsificação de documento. Entre eles estão o ex-número dois da Advocacia-Geral da União, José Weber Holanda Alves, denunciado por duas acusações de corrupção passiva, e o ex-senador Gilberto Miranda, que vai responder por três acusações de corrupção ativa.
De acordo
com a denúncia, Holanda foi responsável por uma nova análise jurídica
para liberar um projeto de Paulo Vieira em uma ilha do litoral paulista.
A
denúncia, de 127 páginas, separou os suspeitos em três núcleos. O
principal era formado pelos irmãos Vieira, outro era formado por
advogados que produziam documentos para servidores públicos corruptos e
um terceiro núcleo era formado por figuras públicas que praticavam
tráfico de influência. Esse último grupo, segundo a denúncia, contava
com a participação da ex-chefe de gabinete Rosemary, que foi nomeada
pelo então presidente Lula e continuou no cargo no governo Dilma
Rousseff. “Parecia um personagem secundário, mas vimos que a
participação dela é muito maior”, disse a procuradora Suzana
Fairbanks. Rosemary foi a responsável pela nomeação dos irmãos Paulo e
Rubens Vieira para cargos de diretoria nas agências reguladoras.
A
Procuradora Fairbanks afirma que o objetivo dos irmãos Vieiras em
assumir cargos não era “de desempenhar atividade pública a serviço da
sociedade, mas de viabilizar os seus interesses nitidamente econômicos”.
A denúncia
aponta pelo menos 15 episódios que envolveram favores pedidos,
vantagens solicitadas, cobradas ou recebidas por Paulo Vieira a
Rosemary. Também foram apontadas 27 situações em que Rosemary pediu
favores, solicitou, cobrou dos irmãos Vieira. Entre os “presentes”
recebidos por Rosemary por sua atuação junto à quadrilha estão uma
viagem em cruzeiro marítimo, ingressos para um camarote no carnaval
carioca e até o pagamento de cirurgia.
O
Ministério Público Federal evitou comentar sobre o relacionamento da
chefe de gabinete com o ex-presidente Lula. “O foco da investigação
nunca foi o relacionamento dela com o presidente. Descobrimos isso pela
imprensa”, disse a procuradora Fairbanks.
Ainda de
acordo com a procuradora, um inquérito por lavagem de dinheiro já foi
instaurado pela PF. As investigações ainda dependem de pedidos de quebra
de sigilo. O Ministério Público Federal não detalhou quais suspeitos
devem ter seus sigilos quebrados. Outros processos por improbidade
administrativa também devem ser oferecidos à Justiça.
Fairbanks
também confirmou que um advogado de Paulo Vieira procurou o Ministério
Público Federal para afirmar que ele tem interesse em colaborar e
conseguir o benefício da delação premiada.
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