PF indicia 18 por fraudes em órgãos públicos federais
Por Fausto Macedo, no Estadão Online:
A Polícia Federal divulgou nesta sexta-feira, 23, que indiciou criminalmente 18 investigados pela Operação Porto Seguro, desencadeada em São Paulo, Brasília e, ainda, nos municípios paulistas de Cruzeiro, Dracena e Santos. Segundo a PF, entre os indiciados estão empresários, advogados e agentes públicos, formalmente acusados de corrupção ativa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e tráfico de influência.
A Polícia Federal divulgou nesta sexta-feira, 23, que indiciou criminalmente 18 investigados pela Operação Porto Seguro, desencadeada em São Paulo, Brasília e, ainda, nos municípios paulistas de Cruzeiro, Dracena e Santos. Segundo a PF, entre os indiciados estão empresários, advogados e agentes públicos, formalmente acusados de corrupção ativa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e tráfico de influência.
Segundo o
delegado Roberto Troncon, superintendente regional da PF em São Paulo,
os servidores corrompidos integram os quadros, além da Agência Nacional
de Aviação Civil (Anac), da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência
Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da Secretaria do
Patrimônio da União, do Tribunal de Contas da União (TCU), da
Advocacia-Geral da União (AGU), e do Ministério da Educação (MEC).
“Tratavam-se de servidores de segundo e terceiro escalões que também
agiram por conta própria”, reiterou Troncon.
O delegado
informou que foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 6
decretos de prisão, inclusive de dois servidores públicos. Troncon
destacou que a investigação teve início em março de 2011, quando um
servidor do TCU procurou a PF para denunciar o esquema que consistia na
compra de pareceres técnicos de diversos órgãos públicos, como a Anac, a
Ana a Antaq.
Tais
pareceres técnicos serviam para favorecer empresas que mantinham algum
tipo de contrato com órgãos públicos e que, de alguma forma, dependiam
dessa documentação.
O servidor
do TCU que denunciou o caso à PF contou que foi procurado por um
empresário que lhe ofereceu R$ 300 mil por um parecer. Ele aceitou parte
do dinheiro, R$ 100 mil, mas depois se arrependeu, devolveu o dinheiro e
delatou o caso à PF. O superintendente Roberto Troncon disse que a
investigação logo constatou que não se tratava de um caso isolado.
“Constatamos que havia um grupo que contava com dois servidores de
agências reguladoras. Este grupo prestava serviços para empresários que
tinham interesse em agilizar processos mediante pagamento e
favorecimento dos servidores públicos, até mesmo a elaboração de
pareceres técnicos sob medidas, contratos para favorecerem interesses
privados.”, declarou o superintendente.
Segundo a
PF, os dois servidores tinham a função de fazer contatos e cooptar
funcionários de outros órgãos públicos federais. “Esses servidores
chegaram a cooptar outros funcionários de segundo e terceiro escalões de
órgãos públicos federais e agências reguladoras”, disse o delegado. Os
dois servidores presos integram os quadros da Agência Nacional de Águas e
da Agência Nacional de Aviação Civil. Troncon acentuou que os
funcionários acusados de corrupção atuavam por conta própria, “sem o
conhecimento de seus superiores”, diz a PF.
Em São
Paulo, Dracena, Cruzeiro e Santos foram cumpridos, desde cedo, 26
mandados de busca. Em Brasília, outros 17 mandados. Dezoito investigados
foram conduzidos coercitivamente à PF. Cerca de 180 policiais federais
participaram da operação. “É importante ressaltar que os dois agentes
públicos presos hoje, um ocupante de cargo na ANA, outro da ANAC, agiram
por conta própria, sem o conhecimento de seus superiores e da cúpula
dessas agências reguladoras”, ressaltou o superintendente.
“Os
dirigentes máximos dos órgãos públicos colaboraram prontamente para o
cumprimento dos mandados judiciais e com a investigação”, afirmou
Roberto Troncon. Ele disse que a conclusão da investigação deve ocorrer
em 60 dias. A PF informou que ainda não dispõe de dados sobre o volume
de pareceres técnicos que foram negociados pelo grupo criminoso.
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