Por que setores da imprensa paulistana viraram porta-vozes de Dirceu, mas tratam Cachoeira como bandido?
Vocês
estão certamente acompanhando tudo. A imprensa, especialmente setores
da paulistana, é agora porta-voz de José Dirceu. Os posts de seu blog
têm o conteúdo reproduzido pelos grandes portais. As bobagens que ele
diz a seus “interlocutores” — é truque: sempre é o próprio Dirceu
falando — transformam-se em sentenças.
Dirceu é
tratado como pensador. Fala sobre o Judiciário — claro! —, sobre reforma
política, sobre as oposições, sobre o futuro da humanidade… E quem é
este pensador? Deixem-me ver: foi cassado por corrupção pelo plenário da
Câmara. Foi condenado em última instância por formação de quadrilha e
corrupção ativa. Ah, sim: com esse currículo, ele continua “consultor de
empresas privadas”. Até outro dia, esgueirava-se em quartos de hotel
com autoridades de governo. Tudo consultoria!
E Cachoeira?
O que a imprensa está esperando para fazer o “Diário de Cachoeira”? Tem mais: se José Dirceu, condenado sem mais chance de recurso, não é chamado pelos jornalistas de “corruptor” e “quadrilheiro”, por que o “empresário goiano” é, então, chamado de “bicheiro” e “contraventor”? Ele nem mesmo foi definitivamente condenado por esse crime…
O que a imprensa está esperando para fazer o “Diário de Cachoeira”? Tem mais: se José Dirceu, condenado sem mais chance de recurso, não é chamado pelos jornalistas de “corruptor” e “quadrilheiro”, por que o “empresário goiano” é, então, chamado de “bicheiro” e “contraventor”? Ele nem mesmo foi definitivamente condenado por esse crime…
Aliás,
Cachoeira tem uma condenação em primeira instância, contra a qual cabe
recurso. Por enquanto, a sua situação jurídica é um pouco melhor do que a
de Dirceu. Por tudo o que se ouviu, praticou um monte de crimes — mas
não se o acuse, ao menos, de ter fraudado o regime democrático, não é
mesmo? Quanto a Dirceu, não custa lembrar a manifestação de diversos
ministros do Supremo: o mensalão foi uma tentativa de golpe nas
instituições.
Os idiotas não perceberão que faço uma ironia, claro! Idiotas comem a ironia junto com o capim sem notar nada de estranho.
Cachoeira
poderia fazer um blog, como Dirceu. Dinheiro para contratar mão de obra
não lhe falta. A exemplo do companheiro, opinaria sobre fatos da vida
nacional. Pode até temperar um texto ou outro com alguma ameaça velada, o
que sempre excita alguns jornalistas. Por uma questão de isonomia — e,
ainda assim, imperfeita —, acredito que também ele ganhará várias
notícias. A isonomia é imperfeita considerando as possibilidades de
recurso…
Se um
condenado em última instância por formação de quadrilha e corrupção
ativa merece o status de pensador, por que um condenado em primeira
instância tem de ser tratado como bandido?
Com a palavra, esses setores do jornalismo paulistano a que me refiro.
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