Precursor do mal de Alzheimer aparece anos antes
Os
cientistas que estudam o mal de Alzheimer têm descoberto cada vez mais
indícios de que o cérebro começa a deteriorar antes do aparecimento dos
sintomas de demência.
MSN
Uma pesquisa realizada com 5 mil membros de uma família estendida de colombianos com uma forma hereditária da doença descobriu recentemente evidências de que os precursores do mal de Alzheimer surgem mais cedo do que se pensava e de que as formas como essa deterioração preliminar acontece ainda não foram documentadas.
Publicado este mês no periódico Lancet Neurology, o estudo descobriu alterações claras nos cérebros das pessoas que desenvolverão a doença pelo menos 20 anos antes do surgimento de qualquer forma de deficiência cognitiva. Os pesquisadores observaram essas alterações nos membros de 18 a 26 anos. O desenvolvimento de deficiência cognitiva entre os membros da família ocorre aos 45 anos, em média, e o desenvolvimento de demência, aos 53 anos.
Essas alterações no cérebro ocorrem antes do aparecimento das primeiras placas – sinal característico da doença – formadas pelo acúmulo de proteína beta-amiloide. Os pesquisadores detectaram que o nível de proteína amiloide presente no líquido raquidiano desses jovens era mais alto que o normal. Eles descobriram evidências de que as partes do cérebro que codificam a memória já estavam trabalhando mais do que trabalhariam em um cérebro normal. Os pesquisadores também identificaram sinais de que as áreas do cérebro conhecidas por serem afetadas pela doença talvez sejam menores nessas pessoas do que nas que não possuem o gene do mal de Alzheimer.
'Esta é uma das
evidências diretas mais importantes de que as pessoas possuem a doença, e
toda a patologia, muitos anos antes', afirmou o Dr. Kaj Blennow,
professor de neuroquímica clínica da Universidade de Gotemburgo, na
Suécia, que não participou do estudo.
O Dr. Nick Fox, neurologista do University College London que também não participou da pesquisa, afirmou que as descobertas sugerem que 'algumas das características que acreditávamos que fossem efeitos secundários talvez não sejam tão secundários assim; elas talvez apareçam mais cedo'.
Esse fato, por sua vez, pode repercutir no momento e no modo de tratar o paciente, uma vez que 'talvez existam certas alterações, níveis altos de beta-amiloide ou outra substância, que precisem ser tratadas enquanto o cérebro do paciente ainda funciona muito bem', afirmou Fox, que escreveu um comentário sobre as descobertas na revista Lancet Neurology.
O Dr. Nick Fox, neurologista do University College London que também não participou da pesquisa, afirmou que as descobertas sugerem que 'algumas das características que acreditávamos que fossem efeitos secundários talvez não sejam tão secundários assim; elas talvez apareçam mais cedo'.
Esse fato, por sua vez, pode repercutir no momento e no modo de tratar o paciente, uma vez que 'talvez existam certas alterações, níveis altos de beta-amiloide ou outra substância, que precisem ser tratadas enquanto o cérebro do paciente ainda funciona muito bem', afirmou Fox, que escreveu um comentário sobre as descobertas na revista Lancet Neurology.
A
família colombiana padece de uma forma rara de Alzheimer, causada por
uma mutação genética, e que acomete aproximadamente um terço de seus
membros na meia idade. Como a família é muito grande e os pesquisadores
conseguem identificar quais membros ficarão doentes, estudá-la é uma
oportunidade rara de aprender sobre as causas e a patologia da doença.
Liderados pelo Dr. Eric Reiman, do Instituto de Alzheimer Banner, em Phoenix, e na Colômbia pelo Dr. Francisco Lopera, neurologista da Universidade de Antioquia, os pesquisadores receberam subsídio dos Institutos Nacionais de Saúde norte-americanos recentemente para realizar um estudo clínico que testará um medicamento nos membros da família antes de eles desenvolverem os sintomas, com o objetivo de descobrir se é possível interromper ou desacelerar as alterações cerebrais precoces.
Os estudos presentes no periódico Lancet Neurology usaram diversos exames, incluindo imagiologia e ressonância magnética cerebral.
'A teoria predominante afirma que o mal de Alzheimer inicia com o acúmulo progressivo de proteína amiloide no cérebro', afirmou Reiman. 'Este estudo sugere que talvez ocorram alterações antes do acúmulo de proteína amiloide.'
Liderados pelo Dr. Eric Reiman, do Instituto de Alzheimer Banner, em Phoenix, e na Colômbia pelo Dr. Francisco Lopera, neurologista da Universidade de Antioquia, os pesquisadores receberam subsídio dos Institutos Nacionais de Saúde norte-americanos recentemente para realizar um estudo clínico que testará um medicamento nos membros da família antes de eles desenvolverem os sintomas, com o objetivo de descobrir se é possível interromper ou desacelerar as alterações cerebrais precoces.
Os estudos presentes no periódico Lancet Neurology usaram diversos exames, incluindo imagiologia e ressonância magnética cerebral.
'A teoria predominante afirma que o mal de Alzheimer inicia com o acúmulo progressivo de proteína amiloide no cérebro', afirmou Reiman. 'Este estudo sugere que talvez ocorram alterações antes do acúmulo de proteína amiloide.'
É possível que certas partes do
cérebro já estejam danificadas. Especialistas afirmaram que é possível
também que essas características distintas apareçam no cérebro jovem em
desenvolvimento.
'Essa é uma doença genética, e não é difícil acreditar que o seja o gene o causador de certas diferenças na forma como o cérebro se desenvolve', afirmou o Dr. Adam Fleisher, diretor de imagiologia cerebral do Instituto Banner e um dos autores do estudo.
Em um dos estudos, publicados no periódico Lancet Neurology, os pesquisadores examinaram 44 membros da família, de 18 a 26 anos. Vinte deles possuíam a mutação que causa o mal de Alzheimer. O líquido cefalorraquidiano daqueles que possuíam a mutação continha mais proteína amiloide que o de seus parentes sem a mutação. Isso chamou a atenção porque os pesquisadores sabem que os níveis de proteína amiloide existente no líquido raquidiano são menores que o normal nas pessoas que desenvolvem placas, no Alzheimer de início precoce ou tardio. Acredita-se que isso ocorra porque a proteína amiloide na forma líquida é absorvida pela placa beta-amiloide, afirmou Reiman.
'Essa é uma doença genética, e não é difícil acreditar que o seja o gene o causador de certas diferenças na forma como o cérebro se desenvolve', afirmou o Dr. Adam Fleisher, diretor de imagiologia cerebral do Instituto Banner e um dos autores do estudo.
Em um dos estudos, publicados no periódico Lancet Neurology, os pesquisadores examinaram 44 membros da família, de 18 a 26 anos. Vinte deles possuíam a mutação que causa o mal de Alzheimer. O líquido cefalorraquidiano daqueles que possuíam a mutação continha mais proteína amiloide que o de seus parentes sem a mutação. Isso chamou a atenção porque os pesquisadores sabem que os níveis de proteína amiloide existente no líquido raquidiano são menores que o normal nas pessoas que desenvolvem placas, no Alzheimer de início precoce ou tardio. Acredita-se que isso ocorra porque a proteína amiloide na forma líquida é absorvida pela placa beta-amiloide, afirmou Reiman.
Por
isso, a existência de níveis altos de amiloide no líquido raquidiano da
família colombiana reforça a hipótese de que a fase inicial do
Alzheimer de origem genética e início precoce é diferente da fase
inicial do tipo mais comum e de início tardio da doença. A diferença
entre o Alzheimer de início precoce e tardio talvez esteja no fato de
que o primeiro está relacionado com a produção excessiva de proteína
amiloide e o segundo com a dificuldade de eliminação da proteína pelo
cérebro.
Quando os participantes associaram nomes a rostos em uma tarefa do estudo, a atividade do hipocampo e do giro para-hipocampal – áreas relacionadas à memória – foi maior nos membros com a mutação. Isso significa que o cérebro que ainda não desenvolveu a doença talvez precise se esforçar mais para codificar a memória que o cérebro normal, sugeriu Reiman.
Os pesquisadores também descobriram que os portadores da mutação tinham menos massa cinzenta nas áreas que costumam diminuir de tamanho quando o paciente desenvolve demência. Fox enfatizou que observar essa redução muito precoce de massa cinzenta é algo tão inusitado que a informação deve ser considerada com cautela, a menos que outros estudos descubram resultados semelhantes.
Quando os participantes associaram nomes a rostos em uma tarefa do estudo, a atividade do hipocampo e do giro para-hipocampal – áreas relacionadas à memória – foi maior nos membros com a mutação. Isso significa que o cérebro que ainda não desenvolveu a doença talvez precise se esforçar mais para codificar a memória que o cérebro normal, sugeriu Reiman.
Os pesquisadores também descobriram que os portadores da mutação tinham menos massa cinzenta nas áreas que costumam diminuir de tamanho quando o paciente desenvolve demência. Fox enfatizou que observar essa redução muito precoce de massa cinzenta é algo tão inusitado que a informação deve ser considerada com cautela, a menos que outros estudos descubram resultados semelhantes.
No
segundo estudo, as placas amiloides de 50 pessoas de 20 a 56 anos foram
observadas com o uso de imagiologia cerebral. Entre elas, 11 tinham
demência, 19 eram portadores da mutação sem os sintomas e 20 eram
membros da família em condições normais. O aparecimento de placas
ocorreu quando os pacientes tinham em média 28 anos, mais de 15 anos
antes da idade prevista de ocorrência de deficiência cognitiva e duas
décadas antes da idade prevista de ocorrência de demência.
O estudo também descobriu que as placas amiloides aumentavam gradualmente até os 37 anos de idade. Após essa idade, a quantidade de placas não parecia aumentar. Os pesquisadores sabiam que as placas deixam de crescer quando o paciente desenvolve demência, mas não sabiam que essa estagnação do crescimento parece ocorrer anos antes, afirmou Blennow.
Os pesquisadores estão analisando dados de membros de 7 a 17 anos para descobrir se algumas das alterações acontecem quando eles são ainda mais jovens.
'Algumas pessoas acreditam que a possibilidade de identificar a doença muitos anos antes talvez seja assustadora', afirmou Reiman. 'Eu acho que isso pode fornecer oportunidades de desenvolvimento de terapias no futuro.' The New York Times News Service/Syndicate – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times.
O estudo também descobriu que as placas amiloides aumentavam gradualmente até os 37 anos de idade. Após essa idade, a quantidade de placas não parecia aumentar. Os pesquisadores sabiam que as placas deixam de crescer quando o paciente desenvolve demência, mas não sabiam que essa estagnação do crescimento parece ocorrer anos antes, afirmou Blennow.
Os pesquisadores estão analisando dados de membros de 7 a 17 anos para descobrir se algumas das alterações acontecem quando eles são ainda mais jovens.
'Algumas pessoas acreditam que a possibilidade de identificar a doença muitos anos antes talvez seja assustadora', afirmou Reiman. 'Eu acho que isso pode fornecer oportunidades de desenvolvimento de terapias no futuro.' The New York Times News Service/Syndicate – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times.
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